Nesta quarta-feira (16), o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim, e o chanceler chinês, Wang Yi, se reuniram em Pequim, capital da China. O objetivo principal da viagem de Amorim à capital chinesa foi entregar uma carta do presidente Lula para Xi Jinping, presidente chinês.
Na carta, Lula reforçou a convergência entre os dois países e a importância estratégica da cooperação bilateral. O último contato entre o líder brasileiro e o chinês foi em julho deste ano, quando, em um telefonema, Xi “rejeitou a interferência externa” no processo eleitoral brasileiro e disse estar pronto para apoiar o governo Lula.
Na reunião entre Amorim e Wang, o assunto voltou à mesa. Ambos condenaram tentativas de ingerência em assuntos internos de outros países e ressaltaram a importância da defesa da paz, do diálogo e do fortalecimento do multilateralismo.
Tais rejeições e condenações ocorrem em meio à ofensiva da política externa dos Estados Unidos sobre o continente latino-americano. Desde a atualização da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, em 2025, uma série de ações foram realizadas por Washington sobre países latinos. Foi o caso do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cília Flores, do questionamento à soberania peruana sobre os seus portos e do aprofundamento do bloqueio a Cuba.
No Brasil, o tarifaço sobre as exportações para os Estados Unidos e a inclusão de organizações criminosas na lista de organizações terroristas são considerados movimentos de mesma natureza. E com a explosão do Caso Master sobre o Supremo Tribunal Federal, levantou-se a possibilidade de novas sanções estadunidenses contra ministros do tribunal. A ameaça é vista como uma tentativa de desestabilizar as eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro.
Flávio já declarou, em março deste ano, que “o Brasil é a solução para que os EUA não dependam mais da China em terras raras e minerais críticos”. Este, aliás, foi outro tema debatido na reunião entre Amorim e Wang.
Ambos destacaram a necessidade de se desenvolverem as capacidades produtivas e tecnológicas para agregação de valor em matéria de minerais críticos e terras raras. Estes minerais são estratégicos para o desenvolvimento de novas tecnologias, entre elas, a inteligência artificial. Para Amorim e Wang, a IA deve ser desenvolvida com código aberto e de forma ética e inclusiva.
Amorim também saudou a declaração da Cúpula do Brics e desejou sucesso à presidência chinesa do grupo. A viagem do assessor-chefe à China se encerra na quinta-feira (17).

