A tradicional Parada LGBTQIA+ de Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal, corre o risco de ser cancelada devido à falta de recursos. Segundo organizadores, o montante destinado ao evento ainda não foi liberado pela Secretaria de Cultura.
A 19ª edição da festividade está prevista para este domingo (20) e integra o calendário oficial de eventos do Distrito Federal desde 2025. Segundo um dos organizadores da parada, Diulio Garcia, havia tempo e conhecimento prévio suficientes para que a tramitação do recurso fosse concluída antes do evento. De acordo com ele, o valor foi aprovado por meio de emenda parlamentar em março deste ano e sancionado pelo GDF em junho.
Na avaliação de Giulio, a falta do dinheiro é resultado da crise financeira que o DF enfrenta pelas consequências do caso Master. Nos últimos meses, o Brasil de Fato DF publicou uma série de matérias que denunciam o atraso no repasse dos recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Outro caso recente envolve o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que correu risco de não acontecer devido à ausência de verba pública.
Organizadores apontam que o cancelamento do evento pode enfraquecer o comércio e tirar a oportunidade de trabalhadores e artistas. “A Parada movimenta uma cadeia econômica inteira. São artistas, DJs, produtores culturais, técnicos, seguranças, brigadistas, motoristas, fornecedores, profissionais de comunicação, alimentação, estrutura e dezenas de outros trabalhadores que dependem direta ou indiretamente do evento”, afirma.
Caso a verba não seja liberada, organizadores disseram que pretendem recorrer a medidas jurídicas e institucionais para cobrar explicações.
À reportagem, a Secretaria de Cultura informou que a execução do Orgulho Taguá na data prevista foi inviabilizada devido à realização de eventos como Brasília Orgulho 2026 e do Patrimônio Brincante. Segundo a pasta, como a data da atividade não poderia ser alterada, não foi possível concluir a liberação dos recursos a tempo.
“Estamos falando de uma Parada realizada há 19 edições, reconhecida oficialmente pelo Distrito Federal e cuja data está prevista em lei. A Parada é cultura, é cidadania, é geração de renda e é direito à cidade. Cancelar por uma falha administrativa, depois de meses de tramitação e com recursos já autorizados, seria um enorme retrocesso”, pontua.
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