O médico italiano Marco Bobbio palestrará nesta quinta-feira (17), às 18h30, na Casa Alice, na Olavo Bilac, 188. Será uma conversa diferenciada e especial de um dos fundadores da Medicina Sem Pressa (Slow Medicine), uma proposta de cuidados humanizados baseados no diagnóstico moderado, no respeito à dignidade e os valores de cada pessoa e na igualdade com amplo acesso à saúde.
A Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação) também é um espaço de cultura e arte. Reúne na sua sede atividades como saraus literários, de música e de poesia; feiras; exposições; oficinas; sessões de cinema; seminários; encontros; exposições; e brechó. Além disso, mantém um banco circular de livros com sessões de leituras para adultos com deficiência visual. Também acolhe atividades propostas pela comunidade. “Buscamos ser um espaço acolhedor, irradiando cultura e espalhando conhecimento”, dizem as responsáveis pelo local, as jornalistas Cristina Pozzobon e Rosina Duarte.
O que é Slow Medicine
O movimento científico se define como filosofia e prática médica que tem como premissa utilizar as melhores evidências com foco no paciente e em seus valores, resgatando entre outros princípios o tempo dedicado ao paciente, sua individualização, autonomia e autocuidado e o uso parcimonioso da tecnologia. O movimento nasceu na Itália em 2002 e se disseminou pelo mundo, tendo chegado ao Brasil em 2014 com o lançamento do livro “O doente imaginado: os riscos de uma medicina sem limites” do mesmo autor.
O livro “Medicina Demais! O uso excessivo pode ser nocivo à saúde”, ora em análise, coloca em discussão os excessos da medicina atual tanto com relação ao uso abusivo da tecnologia quanto ao excesso de medicalização e suas consequências para o indivíduo e a saúde pública. O autor, cardiologista na área de transplantes, desde a década de 1990 do século passado tem publicado sobre a incerteza, os riscos da falta de limites em medicina e a interferência da indústria de medicamentos e equipamentos médicos na prática em saúde, seja ela individual ou coletiva.
Dividido em introdução e oito capítulos, já na introdução o autor chama atenção para a transformação de pessoas saudáveis em doentes pelo uso excessivo de tecnologia. Com a falsa premissa de que tudo pode ser evitado, uma excessiva busca por novos exames ou tratamentos é iniciada após pequenas alterações em exames complementares, sem levar em conta o indivíduo e o fato de que muitas vezes a diferença entre o normal e o patológico é muito sutil, como já alertava Canguilhem em 1965, gerando no mínimo ansiedade para a pessoa. Nesse sentido questiona se fazer mais é sempre melhor.
Marco Bobbio vive em Pino Torinese, uma cidade vizinha à cidade de Turim, na região do Piemonte, na Itália. Atualmente é cardiologista aposentado, escritor e defensor do Movimento da Medicina Sem Pressa.

