A plataforma Mulherar reuniu cerca de 500 mulheres em 15 municípios do Rio Grande do Sul durante quatro meses de rodas de conversa. Idealizado por Ana Affonso, candidata a deputada estadual, o projeto percorreu cidades do Interior e da Região Metropolitana de Porto Alegre para levantar demandas e discutir temas relacionados à vida das mulheres.
Os encontros serviram de base para a elaboração de uma plataforma política organizada em 10 eixos, que incluem saúde, combate à violência de gênero, educação, moradia, trabalho e participação das mulheres nos espaços de poder.
Um giro pelo estado
A lista de cidades visitadas mostra o tamanho do esforço: São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Porto Alegre, Cachoeirinha, Gravataí, Capela de Santana, Portão, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Jaguarão, Santa Maria, Ijuí, Nova Santa Rita e Taquara. Em algumas cidades, o encontro teve um tema específico, como em São Leopoldo, onde ocorreram dois “Mulherars” voltados à prevenção da violência contra mulheres e mulheres de terreiro. Esses eventos deram visibilidade a questões que nem sempre são abordadas na agenda político-eleitoral.

O peso do cuidado
O cuidado e o cansaço de quem cuida sem descanso foram outros temas centrais que permearam praticamente todos os encontros. Mães, avós, cuidadoras de pessoas com deficiência, professoras.
“Em várias cidades, a sobrecarga de trabalho invisível se destacou como um dos assuntos mais delicados nas discussões. Dali surgiu um dos pilares mais robustos da plataforma: o de que o cuidado não deve ser visto apenas como uma obrigação das mulheres, mas como um compromisso de toda a sociedade”, salienta Ana Affonso.

O lançamento oficial
Todo esse trajeto de escuta recebeu um marco formal no último domingo (13), data em que o Mulherar foi lançado formalmente como plataforma política de campanha.
A iniciativa reuniu parte das mulheres que participaram das rodas de conversa ao longo dos últimos meses e marcou a passagem do projeto de uma fase de escuta para de compromisso público. As declarações colhidas nos 15 municípios deixaram de ser somente um registro de campo e passaram a integrar, oficialmente, o conjunto de propostas assumidas por Ana Affonso.
Da escuta ao compromisso
Todo esse material de campo foi estruturado em 10 eixos temáticos, que abrangem desde a saúde integral e o enfrentamento da violência de gênero até a educação, moradia, trabalho e envolvimento político das mulheres em posições de poder e decisão.
Cada eixo engloba uma série de compromissos específicos: fortalecer o SUS e a atenção primária à saúde da mulher, expandir creches e educação em tempo integral, desenvolver respostas ágeis para casos de risco de feminicídio, lutar contra a disparidade salarial, assegurar moradia digna para mães solo e chefes de família, entre outros aspectos que surgiram diretamente das participantes.
Entre os compromissos apresentados por Ana Affonso estão medidas voltadas à proteção das mulheres, ao fortalecimento do SUS, à inclusão de pessoas neurodivergentes, à educação pública, à autonomia econômica, à moradia, à cultura e ao meio ambiente. A plataforma também propõe ampliar a participação feminina nos espaços de poder e manter o diálogo com os territórios na definição das ações.
“Mulherar é o nosso verbo. Um verbo que representa o oposto da realidade que tantas mulheres ainda vivem no Rio Grande do Sul. É um estado marcado pela violência contra as mulheres e por manifestações públicas que, muitas vezes, chegam tarde ou até mesmo nunca chegam”, enfatiza Ana Affonso.
Segundo ela, ouvir as mulheres ao decorrer desse tempo significou acolher dores, compreender diferentes realidades, enxergar os vazios deixados pelo Estado e transformar essas vivências em um projeto político. “É dessa interação entre escuta e ação que surge o compromisso de tornar o Mulherar uma iniciativa de revolução e mudança na vida das mulheres gaúchas.”

