Direitos em disputa

Trabalhadores ocupam centros dos Correios e mantêm mobilização em Brasília

No DF, categoria está no terceiro dia de ocupação do CTE e convoca ato nacional para esta quinta-feira (17)

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Trabalhadores dos Correios ocupam o Centro de Tratamento de Encomendas (CTE), em Brasília. A ocupação chega ao terceiro dia nesta quarta-feira (16), durante a greve da categoria
Trabalhadores dos Correios ocupam o Centro de Tratamento de Encomendas (CTE), em Brasília. A ocupação chega ao terceiro dia nesta quarta-feira (16), durante a greve da categoria | Crédito: Reprodução @sintect_df

A greve dos trabalhadores dos Correios entra em uma nova etapa nesta quarta-feira (16), com o terceiro dia de ocupação do Centro de Tratamento de Encomendas (CTE), em Brasília, e novas mobilizações previstas para os próximos dias. Em diferentes estados, sindicatos também convocam atos e ocupações para pressionar a empresa e o governo federal pela retomada das negociações.

No Distrito Federal, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect-DF) ocupa desde segunda-feira (14) o CTE localizado no Setor de Transporte Rodoviário de Cargas (STRC). Segundo a organização, a mobilização tem ganhado adesão e é uma resposta à falta de avanço nas negociações do acordo coletivo.

Nesta quarta (16), a categoria realiza uma assembleia geral às 17h30, na Praça do Trabalhador, em Ceilândia. Depois, trabalhadores pretendem participar de um ato de campanha do presidente Lula (PT) marcado para 19h, em que devem cobrar do governo federal uma intervenção nas negociações.

Entre as reivindicações apresentadas pelo Sintect-DF estão a aplicação integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) sobre salários e benefícios, a manutenção de direitos previstos anteriormente, do ticket extra e da condição dos Correios como mantenedora do plano de saúde, além do retorno do horário matutino para a jornada aos sábados.

Impasses

O plano de saúde aparece como um dos pontos centrais da disputa. Em vídeos publicados pelo sindicato, trabalhadores afirmam que a mudança na condição dos Correios como mantenedora poderia aumentar a participação dos empregados no custeio do benefício.

A organização também critica medidas relacionadas à reestruturação da estatal, como transferências compulsórias e mudanças na organização do trabalho. Os trabalhadores defendem ainda investimentos na empresa e a manutenção da estrutura de atendimento postal em regiões afastadas dos grandes centros.

A disputa ocorre após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela direção dos Correios para o acordo coletivo. Segundo informações divulgadas pela empresa, a proposta mantinha 78 das 80 cláusulas do acordo anterior e previa reajuste pelo INPC para salários e benefícios. Para os trabalhadores, porém, permanecem divergências sobre direitos e, principalmente, sobre o plano de saúde.

Greve nacional

A mobilização também ganhou novos pontos nesta semana. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) afirma que trabalhadores passaram a ocupar unidades em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e o Centro de Tratamento de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A federação também cita mobilizações no Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará e Bahia.

Em Indaiatuba, trabalhadores ocuparam na madrugada desta quarta-feira (16) o Centro Logístico de Distribuição. Segundo o sindicato local, a ação busca pressionar o governo federal pela reabertura da mesa de negociação antes do julgamento do dissídio coletivo.

Em Brasília, o Sintect-DF afirma que a ocupação do CTE é uma forma de pressionar a direção da estatal diante do que considera falta de disposição para negociar. A entidade também diz ter levado as reivindicações ao Ministério das Comunicações e afirma que recebeu sinalização de que a pauta seria encaminhada ao governo federal.

TST determina efetivo mínimo

A greve começou na última quinta-feira (10), por tempo indeterminado, depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa. No dia seguinte, os Correios recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pediram a instauração de dissídio coletivo.

Em decisão liminar tomada no sábado (12), o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a paralisação. A decisão abrange áreas de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos considerados necessários para a continuidade dos serviços.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30. Até lá, sindicato e empresa ainda podem chegar a um acordo.

As organizações sindicais mantêm a orientação pela continuidade da greve. A Fentect convocou trabalhadores de diferentes estados para um ato em Brasília nesta quinta-feira (17), às 9h. A mobilização pretende reunir sindicatos e trabalhadores em defesa dos direitos da categoria e dos Correios como empresa pública.

Manutenção dos serviços

Os Correios afirmam que acionaram um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os efeitos da paralisação. Entre as medidas anunciadas estão o deslocamento de empregados administrativos para atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo de encomendas e correspondências.

A estatal também afirma que a rede de agências permanece aberta ao público. Em relação à negociação trabalhista, a empresa sustenta que sua proposta preserva a maior parte das cláusulas do acordo anterior e que o reajuste de salários e benefícios pelo INPC está contemplado.

A empresa ainda aponta dificuldades econômico-financeiras e afirma que trabalha na redução de despesas, aumento da eficiência, modernização das operações e criação de novas receitas. A greve acontece enquanto os Correios enfrentam uma crise financeira e buscam um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia do Tesouro Nacional.


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Editado por: Clivia Mesquita

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