entrevista

Candidata ao Senado por SP, Marina Silva defende fim da escala 6×1 e apuração total no caso Master

Postulante pela Rede cobrou rigor em investigações no STF e criticou retrocessos na educação e na segurança de SP

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Ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima, Marina Silva.
Ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima, Marina Silva. | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, transmitiu nesta quinta-feira (17) a entrevista com a candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, Marina Silva (Rede). Durante a sabatina, a candidata defendeu a aprovação do fim da escala 6×1 de trabalho, com redução da jornada semanal para 40 horas sem diminuição salarial, e criticou o represamento da matéria no Congresso Nacional.

Na área da segurança pública, Marina Silva apresentou um diagnóstico crítico sobre o cenário paulista sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A candidata destacou a baixa taxa de elucidação de crimes no estado (40%), a defasagem salarial das forças policiais e a escalada de 94% nos registros de feminicídio entre 2021 e 2025. Como proposta, defendeu a atuação integrada entre polícias, Ministério Público e Receita Federal para asfixiar o financiamento do crime organizado.

Ao analisar a crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e o escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, Marina Silva cobrou rigor e transparência absoluta nas apurações.

A postulante à vaga no Senado defendeu a derrubada total de sigilos tanto no caso do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) quanto do ministro Alexandre de Moraes, defendendo o afastamento voluntário do magistrado para assegurar a neutralidade das investigações no Senado.

Em relação à pauta ambiental e de transição energética, a candidata esclareceu que a licença concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Foz do Amazonas limita-se à prospecção técnica para verificar a presença e qualidade do recurso.

Ela ressaltou que a decisão sobre eventual exploração é de competência do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e defendeu a expansão de fontes limpas como eólica, solar, biomassa e hidrogênio verde.

Marina Silva comentou também sobre a queda nos indicadores educacionais paulistas e criticou os impactos econômicos de medidas tarifárias articuladas pela oposição, que afetam setores como o agronegócio e a indústria de autopeças em São Paulo.

A candidata reforçou a necessidade de um novo ciclo de desenvolvimento econômico associado ao combate às desigualdades e à ampliação da rede de proteção às mulheres.

Confira a íntegra da entrevista:

Brasil de Fato: Qual a sua perspectiva e possível atuação em meio à votação da PEC do fim da escala 6×1? Como avalia a possibilidade de maior tempo semanal de descanso para o trabalhador e qual o impacto disso na sociedade brasileira?

Marina Silva: A luta pela redução da jornada de trabalho dos nossos trabalhadores e trabalhadoras é uma luta muito forte e antiga. Só para se ter uma ideia, na Constituição de 1988, a luta foi bem forte para reduzir de 48 horas para 44 horas semanais. Quase 40 anos depois, aqui estamos nós debatendo a redução para 40 horas, e infelizmente houve uma protelação no Senado para que essa medida fundamental não fosse aprovada agora, devendo ficar para a próxima legislatura. Como senadora, vou trabalhar do mesmo jeito que trabalhei como deputada na Câmara para aprová-la, porque não é possível achar que uma pessoa recupera força física, capacidade de equilíbrio e saúde emocional em apenas um dia de descanso.

São fundamentais dois dias de descanso para que as pessoas tenham tempo livre para estudar, ficar com a família ou se divertir. Precisamos entender que o trabalhador descansado e recuperado produz mais, é mais colaborativo e mais criativo. Todas as empresas que introduziram o fim da jornada 6×1 relatam ganho de produtividade, inclusive no setor varejista.

Qual o seu diagnóstico sobre o modelo de segurança pública paulista e o que a senhora mudaria na legislação sobre o tema?

Temos uma situação grave no país inteiro, mas aqui em São Paulo o problema está agravado. Não se justifica que um policial no estado de São Paulo, o mais rico da Federação, tenha um salário menor do que em estados com receita bem inferior. Outro problema grave é a elucidação de crimes: apenas 40% são elucidados em São Paulo, enquanto outros estados alcançam cerca de 70%. Na segurança das mulheres, o feminicídio aumentou 94% de 2021 para 2025, registrando 270 casos só no ano passado.

Precisamos enfrentar o problema da segurança em três níveis estratégicos. Primeiro, na vida das pessoas e no ambiente doméstico, para proteger mulheres e vulneráveis. Segundo, no espaço público para que as pessoas circulem com tranquilidade. Hoje, 20% dos roubos de celulares do país ocorrem na capital paulista. E, terceiro, com investigação, inteligência e trabalho integrado. Propomos um gabinete institucional liderado pelo governador para integrar Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal, focando no enfrentamento daqueles que financiam o crime organizado, a exemplo do resultado obtido na Operação Carbono Oculto.

A Petrobras identificou petróleo na costa do Amapá e o Ibama autorizou a perfuração de novos poços exploratórios. Qual a sua posição sobre o licenciamento e a exploração na Margem Equatorial, e como pretende conciliar isso com as metas climáticas no Senado?

A licença concedida pelo Ibama foi para fazer prospecção. A licença de prospecção tem a característica de verificar se existe petróleo, além de sua quantidade e qualidade. Não existem ainda licenças para a exploração de blocos de petróleo na Foz do Amazonas. A Margem Equatorial é um espaço enorme que vai da Bacia Potiguar até a Foz do Amazonas; a Bacia Potiguar já é consolidada, enquanto a Foz do Amazonas é desconhecida e precisa de estudos sérios de avaliação ambiental de área sedimentar.

A licença de prospecção exigiu ajustes e análises técnicas detalhadas. A partir de agora, defendo a realização da avaliação ambiental para a área sedimentar. A decisão sobre explorar ou não petróleo não cabe ao Ministério do Meio Ambiente nem diretamente à Presidência da República, mas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O Brasil possui as melhores condições para ter uma matriz 100% limpa. Já temos 45% da matriz energética e 90% da matriz elétrica limpas, podendo investir em geração distribuída com biomassa, hídrica, eólica, solar e hidrogênio verde para alcançar nossas metas climáticas.

Diante das revelações envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ministros do STF, qual deve ser a posição do Senado perante essa crise institucional?

É uma crise institucional grave e sem precedentes, com ministros do Supremo envolvidos em graves denúncias que precisam ser rigorosamente apuradas. O ministro Edson Fachin tem liderado iniciativas, como debates sobre o código de ética e propostas de reforma do Judiciário. Concordo com a posição do presidente Lula de que todos devem ser investigados, doa a quem doer, com a derrubada do sigilo para todos os envolvidos, tanto no caso do senador Flávio Bolsonaro quanto do ministro Alexandre de Moraes, sem dois pesos e duas medidas.

Quanto aos pedidos de impeachment, os indícios são graves e justificam a abertura de processo no Senado, que tem o mandato constitucional para realizar essa investigação. Defendo inclusive que o ministro Alexandre de Moraes se afaste espontaneamente para exercer sua defesa fora da função. O Senado, ao abrir o processo, deve conduzir uma investigação sem pré-julgamentos, analisando todos os elementos comprobatórios. Comprovado o crime de responsabilidade, assim como a quebra de decoro por deputados, deve haver a cassação.

Quais são as suas agendas prioritárias no Senado e por que a senhora deseja representar o estado de São Paulo?

Quero que São Paulo continue sendo o estado propulsor do desenvolvimento econômico e social do país. O estado reúne as melhores condições para um novo ciclo de prosperidade por possuir base tecnológica, indústria diversificada e mão de obra qualificada. Infelizmente, nos últimos anos, São Paulo ficou para trás: na educação, o estado caiu do 1º para o 10º lugar no indicador nacional desde 2015.

Além disso, São Paulo enfrenta os impactos negativos de articulações tarifárias promovidas pela oposição, que retiram de 3 a 4 bilhões de dólares da economia paulista, prejudicando empregos na indústria de calçados, autopeças, etanol, caldeiras e no agronegócio de café. Como senadora, quero atuar para corrigir essas distorções e combater a violência contra as mulheres, garantindo delegacias 24 horas bem estruturadas e redes de proteção. Quero representar São Paulo para promover um ciclo de prosperidade com democracia, sustentabilidade e combate às desigualdades.

Conexão BdF

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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