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‘Golpes da direita patrocinados pelos EUA não operam com violência explícita’, diz analista

Para especialistas, aliados de Bolsonaro buscam desgaste institucional e interferência estrangeira na disputa eleitoral

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O candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro
O candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro | Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Depois que as ações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça geraram um cisma na Corte e causaram um impacto no processo eleitoral favorável a Flávio Bolsonaro (PL), a extrema direita iniciou outra tentativa de prejudicar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio do Judiciário.

O deputado federal bolsonarista Zé Trovão (PL-SC) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o reajuste de 15,04% para o Bolsa Família, anunciado por Lula. Em sorteio, a representação caiu para Mendonça, vice-presidente do tribunal, que rejeitou o pedido com a justificativa de que Trovão, como candidato, não pode representar contra presidenciáveis.

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirma que existe em curso no Brasil a política do lawfare, muito engajada pelo governo dos Estados Unidos, hoje comandado pelo presidente Donald Trump. Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o professor observa que a estratégia não é nova e nem somente no Brasil, como em toda a América Latina. “Consiste em desgastar os governos que não estejam alinhados com seus interesses. Isso foi feito na Argentina com Kirchner, no Chile contra Bachelet, mas não deu certo; foi feito na Bolívia contra Evo Morales, contra o Correia no Equador e contra a Dilma, aqui no Brasil”, menciona.

O próprio tarifaço anunciado por Trump no ano passado teve por objetivo pressionar o Judiciário brasileiro com relação à condenação de Jair Bolsonaro. “A ideia de golpes defendidos e patrocinados pelos EUA não representa mais a violência explícita com tanques nas ruas e soldados armados. A ideia é desgastar as instituições democráticas para colocar governos alinhados aos EUA com tendências fascistas autoritárias, para criar governos autocráticos que realizem todos os desejos dos EUA, que é exatamente sobre as terras raras, o petróleo e outras tantas privatizações”, avalia.

No atual cenário, destaca o cientista político, o tarifaço de Trump e até mesmo o caso “Dark Horse”, bem como as relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Flávio, foram deixados de lado.

Para Paulo Niccoli Ramirez, é preciso uma reforma no Judiciário. “É preciso rever tempo de mandato, que hoje é indeterminado, a questão de decisões monocráticas e como esses ministros são escolhidos. Agora é difícil sair do debate sobre o STF que de fato não tinha nada a ver com o debate eleitoral”, lamenta.

Na visão de Ramirez, falta a campanha de Lula expor essa situação. “Você entra nessas plataformas de big techs e encontra uma série de robôs, talvez até mesmo pagos por bancos, que ficam distorcendo os fatos”, afirma.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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