Futuro do país

No DF, Lula fala de enfrentamento à violência contra as mulheres e destaca que o povo é soberano nas eleições

Comício reuniu milhares de pessoas na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, na noite desta quarta (16)

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Ato de Lula (PT) em Ceilândia "O Brasil Pronto Pra Mais"
Ato de Lula (PT) em Ceilândia “O Brasil Pronto Pra Mais” | Crédito: Ricardo Stuckert

A Praça do Trabalhador, em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, ficou lotada na noite desta quarta-feira (16), no comício “O Brasil pronto pra mais”, da Federação Brasil da Esperança. O ato contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, da primeira-dama Janja Lula, do candidato ao governo do DF, Leandro Grass (PT) e das candidatas ao Senado Erika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT).

Em um discurso de cerca de 30 minutos, Lula falou para um público engajado, que por vezes o interrompia com coros de “Lula, guerreiro do povo brasileiro” ou “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. O petista reforçou a importância da unidade entre as candidaturas do campo progressista e destacou o papel destas eleições.

“Essa é uma eleição em que nós não temos o direito de errar o voto. Porque tem uma disputa nesse país. De um lado, tem um cidadão que queria privatizar as praias; ele queria que as praias fossem todas privatizadas e que o pobre tivesse que pagar para ter um banho numa praia. Esse mesmo cidadão mandou o irmão dele para os Estados Unidos para travar contra o Brasil. ‘Tá’ lá o Eduardo Bolsonaro, o traidor da pátria, pedindo para que o Trump venha fazer intervenção. Esse país não comporta político vira-lata. O Brasil não quer ser colônia de ninguém, o Brasil quer ser soberano, dirigido por brasileiros e construir o futuro com o suor e sangue dos brasileiros”, destacou.

O presidente informou que, nos próximos dias, participará de ações em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina e confirmou a ida para a abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que ocorre na terça-feira (22) .

“Eu vou ter um bate-papo com o Trump e dizer: não se meta nas eleições do Brasil. O Brasil só tem um dono, que é o povo brasileiro”, disse o presidente, que foi ovacionado pelo público.

Em ato no DF, uma jovem segura um cartaz que diz: “Lula, hoje passei no Prouni”
Em ato no DF, uma jovem segura um cartaz que diz: “Lula, hoje passei no Prouni” | Crédito: Scarlett Rocha

Além de destacar as ações ao longo do governo, o petista disse que tem consciência que a situação do povo brasileiro ainda precisa melhorar. “Eu sei que as coisas ainda estão caras, mas é importante não esquecer que no governo deles a inflação de alimentos era de 56% e no nosso chegou a 13%. Mas sei que é preciso baixar o alimento, é preciso baixar a carne, por isso é preciso produzir mais para que a gente possa também aumentar o salário das pessoas”, observou.

Ainda no discurso, Lula falou sobre investimentos na educação, a crise no Banco de Brasília (BRB) e dedicou o final do discurso para alertar sobre o problema da violência contra as mulheres no país e destacou a importância da autonomia financeira e da educação para a juventude.

“Não é normal alguém matar a mulher. (…). A gente vai ter que começar a ensinar as nossas crianças, na creche, na universidade: menino não é melhor do que mulher. Mulher não é inferior a homem. Nós somos iguais. E temos que ser tratados de forma igual. Se a gente não fizer isso, a gente vai continuar vendo o mundo cada vez pior”, afirmou.

Antes de Lula, as candidatas ao Senado Erika Kokay (PT), Leila (PDT), a primeira-dama Janja Lula e o candidato ao governo do DF, Leandro Grass (PT), também discursaram. Na multidão, o público erguia bandeiras, cartazes e faixas.

“Estamos no ato de campanha porque entendemos que é dentro desse espaço democrático que temos a viabilidade real de disputar o orçamento, cobrar políticas de reparação e exigir o respeito pleno ao nosso protagonismo intelectual e técnico. Escolhemos o lado que nos permite avançar, sem nunca silenciar a nossa voz”, destacou Claudia Maciel, integrante do Coletivo Jovem de Expressão, que subiu ao palco ao lado de representantes da cultura Hip Hop para manifestar apoio ao presidente Lula.

Juventude participou do ato de campanha do presidente Lula (PT) em Ceilândia, região administrativa do DF
Juventude participou do ato de campanha do presidente Lula (PT) em Ceilândia, região administrativa do DF | Crédito: Ricardo Stuckert

‘Momento decisivo’

No Distrito Federal, de acordo com pesquisa RealTime Big Data divulgada em 9 de setembro, Lula registra 34% das intenções de voto e 33% para Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário estimulado de primeiro turno para a Presidência da República entre eleitores do Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Para o presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa, o momento exige sobriedade. “O nível de polarização exige muita sobriedade, muita responsabilidade com o momento político. Eu acho que esse ato aqui talvez consolide o processo, inclusive de inversão, para a gente passar a figurar na frente do Flávio Bolsonaro até o final deste primeiro turno. E não tenho dúvidas de que somos capazes de fazer isso acontecer”, pontuou.

“Esse é um momento muito decisivo nas nossas vidas, porque é definidor do nosso futuro. Ou a gente muda no Distrito Federal esse projeto que está sendo colocado, que está há oito anos, ou serão mais quatro anos de fracasso. A nossa luta é que a gente tenha, tanto ao nível federal quanto ao nível distrital, um projeto para o povo, para a educação, para a saúde”, observou Letícia Montandon, diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro).

Para Marco Baratto, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o momento da eleição é de convencer os indecisos. “Esse é o momento de intensificar a campanha nas ruas, sobretudo em setores que a gente precisa convencer o povo, porque onde já está convencido está bom demais. Precisamos ir na periferia, nas feiras do DF e Entorno e convencer o povo de que precisamos eleger o Lula para continuar um processo de construção democrática profunda no país e evitar o retorno da extrema direita, do conservadorismo, do ódio. É isso que está em jogo”, finaliza.


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Editado por: Clivia Mesquita

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