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Vereadora do Psol comenta suposto elo de Milton Leite com PCC: ‘Anuência de Ricardo Nunes e Tarcísio’

Luana Alves afirma que operação revela laço já há muito tempo conhecido entre empresas de transporte e crime organizado

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O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite ao lado do prefeito Ricardo Nunes
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite ao lado do prefeito Ricardo Nunes | Crédito: Marcelo Camargo/Governo de São Paulo

Alvo da operação Vectura Corrupta da Polícia Civil, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo, o ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é considerado foragido. Ele presidiu a Câmara dos Vereadores de São Paulo por seis vezes e cumpriu sete mandatos.

Em nota divulgada pelo g1, Milton Leite negou estar foragido. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a vereadora Luana Alves (Psol-SP) destaca que denúncias de envolvimento das transportadoras de São Paulo com o crime organizado não são algo novo, mas chegaram a outro patamar com a operação desta quinta-feira (17), que traz provas da relação de Leite com a Transwolff, empresa que lavava dinheiro para o PCC. A ligação entre ambos foi apontada pelo UOL ainda em 2024.

“Eu falo não só como vereadora, mas como moradora de São Paulo, que viveu no Grajaú por um tempo. Para a população periférica, isso realmente não é uma novidade”, afirma.

Para ela, a impunidade indigna, já que o esquema funciona há tanto tempo. “O que nos traz muita indignação é o quão confortáveis esses grupos estão. E esse conforto que eles têm de operar esses esquemas. Ao que tudo indica, são esquemas muito grandes e a informação é que mais da metade das empresas de ônibus de São Paulo tem essa relação com o crime organizado ou são do crime organizado”, avalia.

Luana Alves destaca que esse cenário de envolvimento do PCC com a política institucional em São Paulo só é possível com a “anuência do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas”.

A vereadora lembra que a relação do prefeito paulistano com Milton Leite é antiga e remonta à época em que ambos ocupavam vaga na Câmara. “Esse é um ponto fundamental. Os dois são muito próximos. Outro ponto é a questão do Tarcísio. A Artesp sempre teve muita influência do Milton Leite. Esse também é um ponto importante. O Tarcísio sempre deu espaço para o grupo político do Milton Leite na administração das pastas de transporte, mesmo a nível estadual”, reforça. Ela também conta que Leite foi fundamental para destravar a privatização da Sabesp no governo Tarcísio.

Com relação a mecanismos de fiscalização para evitar que esse tipo de situação continue acontecendo, Alves lamenta a falta de transparência dos processos e contratos. “É uma caixa preta que ninguém mexe. E mesmo os que querem mexer, fiscalizar, têm muito pouco acesso às planilhas”, conta.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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