Luciano Zucco (PL), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, e Marcel van Hattem (Novo), candidato ao Senado, receberam juntos R$ 4,14 milhões em doações diretas em dinheiro de pessoas físicas, com grandes contribuições de empresários. O valor supera o dobro dos R$ 1,88 milhão destinados aos outros oito candidatos que completam o ranking dos dez maiores recebedores desse tipo de doação no estado.
Zucco lidera a lista, com R$ 2,57 milhões, seguido por Van Hattem, com R$ 1,57 milhão. O terceiro colocado, Edivilson Brum (MDB), candidato a deputado estadual, recebeu R$ 356,5 mil. O valor destinado a Zucco é mais de sete vezes o recebido por Brum. O de Van Hattem é mais de quatro vezes maior.
Sozinho, Zucco recebeu mais que os candidatos do segundo ao quinto lugar juntos. Van Hattem, Brum, Felipe Camozzato (Novo) e Manuela d’Ávila (Psol) somam R$ 2,43 milhões nesse recorte.
Para o sociólogo Jorge Branco, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor da Ulbra, a concentração de doações de empresários nas duas candidaturas expressa a adesão de parte do empresariado às propostas da extrema direita.
“Essas doações expressam a adesão do empresariado às políticas mais reacionárias, de extrema direita e até mesmo autoritárias, antidemocráticas, que esse campo político tem expressado”, afirma Branco.
O levantamento do Brasil de Fato RS usa dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerados na quarta-feira (16), a 18 dias do primeiro turno. Os vínculos dos doadores com empresas foram conferidos nos dados da Receita Federal de setembro de 2026.
A comparação considera somente doações diretas em dinheiro registradas como recursos de pessoas físicas, sem incluir financiamento coletivo, repasses de partidos, recursos dos próprios candidatos ou contribuições de bens e serviços. Pela legislação eleitoral, cada pessoa pode doar até 10% da renda bruta obtida no ano anterior à eleição.
Sócio da Grendene responde por 97,3% das doações diretas a Zucco
Dos R$ 2,57 milhões recebidos por Zucco nesse recorte, R$ 2,5 milhões vieram de Alexandre Grendene Bartelle. A contribuição representa 97,3% do total destinado à campanha por três doadores.
Bartelle é sócio-administrador da Grendene Industrial de Calçados, sócio da Sitrel – Siderúrgica Três Lagoas e conselheiro de administração da Unicasa Indústria de Móveis.
Outra contribuição expressiva à campanha de Zucco foi a de Ernani Reuter, que doou R$ 70 mil. O empresário é sócio-administrador de empresas como a Box Print, a Reichert Curtume e a Reichert Alimentos e Óleos.
Além da contribuição a Zucco, Bartelle destinou R$ 200 mil a Regina Becker (PDT), candidata a deputada estadual. Com R$ 2,7 milhões doados, ele lidera o ranking de doadores diretos em dinheiro a candidatos do RS.
Van Hattem recebe R$ 340 mil de empresários da Stara, Vulcabras e SLC
A campanha de Van Hattem recebeu contribuições diretas em dinheiro de 177 pessoas. As cinco maiores foram de Susana Stapelbroek Trennepohl, com R$ 200 mil; Pedro Bartelle e Rui Denardin, com R$ 100 mil cada; Marcos Ribeiro Simon, com R$ 50 mil; e Antonio Augusto Torres de Bastos Filho, com R$ 45 mil.
Trennepohl é diretora da Stara, fabricante de implementos agrícolas, e sócia-administradora da Stara Participações Financeiras. Também destinou R$ 50 mil a Adriane Cerini (PL), candidata a deputada estadual, somando R$ 250 mil em contribuições diretas a candidatos do estado.
Pedro Bartelle é presidente da Vulcabras, diretor da Vulcabras Azaleia-RS, Calçados e Artigos Esportivos e sócio-administrador da Warken & Bartelle Administração e Participações. Além dos R$ 100 mil a Van Hattem, doou o mesmo valor a Felipe Pedri (PL), candidato a deputado federal.
Rui Denardin é sócio-administrador de empresas como a Belém Motocenter e a M. Locadora de Veículos. Marcos Ribeiro Simon é sócio-administrador da Cromoterápica Administração de Bens e da Eclpsn Patrimonial e Participações. Já Antonio Augusto Torres de Bastos Filho consta como presidente da Serena Energia e da Asteri Energia, entre outras empresas.
Outro doador ligado a grandes empresas é Jorge Luiz Silva Logemann, que destinou R$ 40 mil à campanha de Van Hattem. Ele é diretor da SLC Participações, conselheiro de administração da SLC Agrícola e administrador da SLC Máquinas.
Logemann também contribuiu com R$ 50 mil para Felipe Camozzato, candidato a deputado federal, e com R$ 10 mil para cada um dos candidatos a deputado estadual Marcos Garcia e Marcus Vinícius, ambos do PP. Suas doações diretas a candidatos do RS somam R$ 110 mil.
A avaliação de Jorge Branco vai além das candidaturas de Zucco e Van Hattem. Para o sociólogo, o apoio empresarial à extrema direita é tanto financeiro e logístico quanto ideológico, sustentado em propostas de retirada de direitos fundamentais e de direitos conquistados pelos trabalhadores e pela sociedade.
“O grande objetivo e a base da aliança entre a extrema direita e o empresariado brasileiro, não só gaúcho, está na ideia de aumentar o nível de exploração da classe trabalhadora”, afirma.
PL e Novo ocupam metade das posições do top 10
Zucco e Van Hattem concentram 68,7% das doações diretas em dinheiro de pessoas físicas recebidas pelos dez candidatos que lideram o ranking. PL e Novo ocupam cinco posições na lista: além dos dois primeiros colocados, aparecem Camozzato, Fabiano Feltrin e Osmar Terra.
Manuela d’Ávila, candidata ao Senado pelo Psol, aparece em quinto lugar, com R$ 251 mil. Regina Becker, do PDT, ocupa a nona posição, com R$ 200 mil. MDB e PP completam o ranking dos dez que mais receberam doações diretas em dinheiro de pessoas físicas.

Os valores refletem as informações disponíveis em 16 de setembro e podem mudar com novos registros. O ranking compara o apoio financeiro direto de pessoas físicas e não representa a arrecadação total das campanhas.


