A Parada LGBTQIA+ de Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal, foi postergada e não há previsão de quando será realizada. O Brasil de Fato DF confirmou a informação junto a responsáveis pelo evento e à Secretaria de Cultura nesta sexta-feira (18).
A verba destinada à festividade ainda não foi liberada pela pasta, que afirmou que a execução do Orgulho Taguá na data prevista foi inviabilizada devido à realização de eventos como Brasília Orgulho 2026 e do Patrimônio Brincante. Como a data da atividade não poderia ser alterada, a secretaria argumenta que não foi possível concluir a liberação dos recursos a tempo.
Celebrada há quase 20 anos, a Parada LGBTQIA+ de Taguatinga pertence ao calendário oficial de eventos do DF e estava prevista para ocorrer neste domingo (20). Com a verba travada, a comunidade segue pressionando o Governo do Distrito Federal (GDF) pela disponibilização do montante.
Sem previsão
Em nota, a Secretaria de Cultura afirmou que “não há data prevista para a liberação dos recursos” e que propostas apresentadas por organizações da sociedade civil precisam passar por “análises técnica e jurídica antes da eventual formalização da parceria.”
A pasta acrescenta que a Portaria Secec nº 21/2020 — responsável por definir critérios para parcerias culturais — estabelece que a entrega da documentação não garante a execução automática do projeto nas datas sugeridas pela organização. Segundo a secretaria, o prazo das análises pode ultrapassar 45 dias.
Organizadores do evento ouvidos pela reportagem questionam a versão do GDF e apontam que o atraso no envio dos recursos se deve, na verdade, à “falta de dinheiro”.
“O que nos causa muita estranheza é a justificativa de ‘falta de capacidade técnica’. Esse processo tramita desde março. Os recursos de emenda parlamentar já estavam destinados e desbloqueados em junho. Então a pergunta que fazemos é: como, depois de tantos meses de tramitação, só às vésperas do evento se identifica essa suposta falta de capacidade?”, indaga Diulio Garcia.
Nos últimos meses, o DF tem sofrido com sucessivas tesouradas na verba destinada à cultura. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, por exemplo, correu risco de ser cancelado devido aos cortes da governadora Celina Leão (PP). Além disso, houve uma sequência de mobilizações de trabalhadores da cultura pela liberação de parcelas do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).
“Vamos continuar cobrando respostas e uma solução concreta para que a 19ª Parada do Orgulho de Taguatinga aconteça. Ela faz parte do calendário oficial do Distrito Federal e é um espaço de cultura, geração de renda e visibilidade para a população LGBTQIA+. Queremos entender por que o governo está recuando justamente em políticas e atividades culturais tão importantes para a cidade”, finaliza Garcia.
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