A FORÇA DO MOVIMENTO

Documentário premiado sobre Cozinhas Solidárias do MTST terá sessão com debate em Porto Alegre

'Não Existe Almoço Grátis' será exibido segunda (21) no Cine Bancários, com debate entre codiretor e cozinheiras do MTST

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Jurailde Alves Ferreira em trabalho na cozinha do MTST
Jurailde Alves Ferreira em trabalho na cozinha do MTST | Crédito: Divulgação/Primeiro Plano

O CineBancários recebe, na segunda-feira (21), às 19h, uma sessão especial com debate do documentário “Não Existe Almoço Grátis”, em sua terceira semana nos cinemas brasileiros. A atividade reúne o codiretor Pedro Charbel e quatro cozinheiras do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST): Zelia Silva (Cozinha Solidária do Lami), Isaura Martins (Cozinha Solidária Maristas), Ana Carla (Cozinha Solidária Beer Fir) e Lili Santos (Cozinha Solidária da Azenha).

A mediação é de Carolina Disegna. Os ingressos podem ser adquiridos diretamente na bilheteria do cinema, localizado na sede do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), rua General Câmara, 424, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Com distribuição da Descoloniza Filmes e classificação indicativa de 10 anos, o longa reflete sobre os profundos danos causados pela gestão da pandemia de covid-19, acompanhados por outro vírus terrível: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar essa situação levou o MTST a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.

“Não Existe Almoço Grátis” acompanha, em Sol Nascente, no Distrito Federal, três mulheres negras — Bizza, Jurailde e Socorro — que lideram uma dessas cozinhas e se preparam para alimentar centenas de militantes que viajarão a Brasília para a cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2023. Os percursos de vida das três são apresentados de forma não linear: Bizza sonha em construir sua casa e abrir um negócio no lote conquistado pela luta no MTST; Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à ancestralidade indígena e ao passado de trabalho infantil; Socorro encontra orgulho de si ao formar família após ter sido abandonada pelo pai na infância.

Os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel descrevem a obra como um “manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro”. Segundo eles, o filme usa linguagem visual e sonora para marcar os contrastes da desigualdade social no Distrito Federal e fazer de Brasília uma “personagem símbolo de injustiças a serem superadas”.

“Há um pacto profundo entre filme e movimento social, do qual emerge a possibilidade de um mergulho na realidade do maior movimento urbano da América Latina e nos laços de afeto e comunidade fundamentais para combater as estruturas injustas de nossa sociedade. Em ano eleitoral, o filme é um lembrete de que a luta deve ser diária”, afirmam Nepomuceno e Charbel.

Recepção da crítica

A crítica destaca a capacidade do filme de contrapor a frieza econômica à solidariedade humana. Para Luiz Fernando Zanin Oricchio, do Estadão, o documentário aponta a câmera para o oposto da visão mercantil da sociedade, com “histórias de vida muito bonitas que nos ajudam a pôr os pés no chão e nos descentram das inquietações da classe média”.

Pablo Villaça o elegeu como seu preferido na 13ª edição do Olhar de Cinema, chamando-o de “encantador” e ressaltando sua mensagem sobre a importância da luta e da educação política. Vincent Sesering, do Cine Set, observa como o filme articula cotidiano e contexto histórico, aproximando a favela do Sol Nascente das torres do Congresso Nacional para “juntar povo e política”.

Cartaz nacional e programação 

Poster oficial do filme ‘Não existe almoço grátis’ | Crédito: Divulgação/Primeiro Plano

Além de Porto Alegre, o longa segue em cartaz entre 17 e 23 de setembro em diversas capitais: Belo Horizonte (Cine Belas Artes), Florianópolis (Paradigma Cine Arte), Fortaleza (Cinema do Dragão), Salvador (Saladearte MAM), São Paulo (Matilha Cultural) e Vitória (Metrópolis).

Trajetória em festivais e prêmios

Antes da exibição comercial, “Não Existe Almoço Grátis” construiu uma trajetória premiada. Em 2023, integrou a Mostra Contemporânea Brasileira do 27º ForumdocBH e, no 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, venceu como Melhor Filme pelo Júri Popular e recebeu Menção Honrosa do Júri Oficial. Em 2024, participou da 13ª Mostra Ecofalante, onde também conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular.

Ainda em 2024, o longa participou da Mostra Foco do 13º Olhar de Cinema e da Competitiva Nacional do 31º Festival de Cinema de Vitória, onde recebeu Menção Honrosa do Júri Oficial. Em 2025, conquistou o Prêmio Destaque na 21ª Mostra do Filme Livre.

Ficha técnica

O filme, com duração de 74 minutos, conta com Bizza dos Santos, Jurailde Alves Ferreira e Socorro Rodrigues como protagonistas. A direção é de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel; a produção executiva, de Nepomuceno, Charbel e Evelyne Lessa; e a distribuição, da Descoloniza Filmes.

Marcos Nepomuceno é diretor, produtor e jornalista formado pela UFRJ. Em 2022, fundou a Filmes da Terra, dedicada a projetos documentais e narrativas autorais sobre a diversidade cultural brasileira. Pedro Charbel tem mestrado em Sociologia e graduação em Relações Internacionais pela USP; é militante do MTST, coordena o projeto Cinema Sem-Teto, fundou a Urupê Filmes em 2023 e atua como editor-chefe da revista socioambiental Jatobá.

Sinopse oficial

Em Sol Nascente, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das Cozinhas Solidárias do MTST, distribuindo almoços gratuitos diariamente. Para a posse do presidente Lula, elas cozinham para centenas de pessoas que chegam a Brasília para a cerimônia em 1º de janeiro. Em meio a ameaças de golpe, o documentário acompanha o evento e a organização coletiva, revelando que “o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos”.

Serviço

  • O quê: sessão especial de “Não Existe Almoço Grátis” com debate
  • Quando: segunda-feira (21), às 19h
  • Onde: CineBancários (rua General Câmara, 424, Centro Histórico, Porto Alegre)
  • Participação: Pedro Charbel (codiretor) e cozinheiras do MTST (Zelia Silva, Isaura Martins, Ana Carla e Lili Santos); mediação de Carolina Disegna
  • Ingressos: na bilheteria do CineBancários
Editado por: Marcelo Ferreira

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