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‘Empresas de setores estratégicos não podem ser privatizadas’, afirma integrante do MAB

Documento com diretrizes para o setor energético criada por diversos movimentos populares fala em defesa da soberania

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Pré-sal na Bacia de Santos
A Era dos combustíveis de petróleo precisa ser superada, mas grande parte da economia mundial requer ser alterada | Crédito: Divulgação/Petrobras

A Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia lançou nesta semana o documento “Política energética nacional: Brasil para os brasileiros”, que reúne propostas de movimentos populares e organizações de trabalhadores em defesa da soberania energética, do controle público do setor e de tarifas mais acessíveis de água, luz, gás e combustíveis.

Dentre as propostas, estão a reestatização de empresas estratégicas, o combate à financeirização e medidas de enfrentamento à crise climática e ao racismo ambiental

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Gilberto Cervinski, do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), afirma que o momento eleitoral atual indica a existência de um movimento entreguista, que deve ser barrado. “Alguns presidenciáveis falam que querem privatizar 95%, o que significa entregar o petróleo, o gás, privatizar a água e os rios. E quem sai perdendo é o povo brasileiro. Essa articulação, muitas vezes, está vindo dos Estados Unidos com essas promessas que vão causar muito mal ao povo brasileiro da cidade e do campo”, aponta.

Na avaliação do especialista, é um tema estratégico. “Acreditamos que a questão da água e da energia tem como centralidade a luta para garantir a soberania nacional. Ou seja, isso são riquezas do Brasil e devem ficar a serviço dos brasileiros”, avalia. “Não tem que ficar entregando para Trump ou empresas estadunidenses.”

Cervinski também destaca que o processo de privatização piora os serviços e onera o consumidor. Além disso, aponta que o controle de política de preços só é possível com o controle estatal e cita a China como exemplo desse tipo de gestão. “A BR Distribuidora, que controlava o preço da gasolina, foi privatizada nos governos de Bolsonaro e Temer. O governo tem que ter um instrumento de controle de uma empresa que consiga controlar os preços. E isso também vale para a energia elétrica. Isso também vale para o saneamento. Uma empresa aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, ao privatizar, piorou duas coisas: aumentou os preços da água e piorou a qualidade do serviço prestado”, relata. “A China é a referência mundial; ela tem empresas estatais importantes em cada área estratégica.”

O integrante do MAB avalia que o processo de privatização tem como foco o lucro e acaba precarizando todos os processos. “Candidatos como Flávio, Zema e Caiado defendem abertamente a privatização. O papel do governo é um governo que precisa de mais Estado e não menos Estado”, resume. 

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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