EM TERRA DE LULA

Estudantes protestam em ato de campanha de Flávio Bolsonaro no Recife e lançam manifesto contra extrema direita

Diferentes movimentos estudantis se uniram na última quarta-feira (16) e estenderam faixa crítica em ponte

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Faixa foi estendida na Ponte Giratória, acesso ao Bairro do Recife
Faixa foi estendida na Ponte Giratória, acesso ao Bairro do Recife | Crédito: Rostand Tiago/Brasil de Fato PE

Na última quarta-feira (16), enquanto apoiadores do candidato à presidência Flávio Bolsonaro se reuniam para um ato de campanha do presidenciável no Bairro do Recife, representantes de organizações estudantis estenderam uma faixa com os dizeres “Em terra de Lula, Bolsonaro não se cria” na Ponte Giratória, uma das principais vias de acesso ao ato bolsonarista realizado no fim da tarde. 

A ação foi realizada por estudantes ligados à União Nacional dos Estudantes (Une), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) e pela União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Umes). “Nós sabemos que estamos caminhando para uma quadra histórica do Brasil, entre a democracia e a barbárie. Nós já sabemos muito bem o que a extrema direita é capaz quando ela governa o país, dos mortos na pandemia ao desmonte da educação. Até o dia 4 de outubro, teremos muitas lutas na rua, nas escolas e nas urnas”, afirma Roberta Pontes, presidente da Ubes.  

Enquanto bolsonaristas chegavam ao Bairro do Recife, com diversos ônibus fretados chegando às principais vias de acesso da região, o grupo de estudantes carregou a faixa de dez metros entre os manifestantes e a estendeu na ponte, momentos antes do ato realizado por Flávio Bolsonaro e aliados pernambucanos no Cais da Alfândega. “Não viemos apenas só abrir uma faixa, viemos mostrar a força dos estudantes de Pernambuco. Somos uma terra revolucionária e não aceitaremos o projeto fascista de desmonte e desbanque da educação que Bolsonaro carrega”, declarou Evellyn Paiva, militante do Levante Popular da Juventude. 

Os jovens também fizeram questão de ressaltar que, para além do presidenciável Flávio Bolsonaro, a eleição de aliados seus da extrema direita em Pernambuco também coloca em xeque os rumos da educação pública do país. “Estamos aqui também para escrachar e denunciar quem são os candidatos da extrema direita, como Mendonça Filho (candidato ao Senado pelo PL), que foi o pior ministro da Educação que esse país pôde ter, responsável pelo novo ensino médio e ataques à educação, enquanto um projeto de vida e futuro da juventude das favelas”, afirma Giovana Vitória, presidente da UEP. 

Manifesto pela educação

Após o ato, os movimentos estudantis lançaram um documento para denunciar as ameaças que um possível governo de Flávio Bolsonaro pode trazer para a educação pública brasileira. O texto, intitulado “Em terra de Lula, educação não se entrega” é assinado pelas entidades envolvidas na ação. Confira a íntegra:

Manifesto dos estudantes de Pernambuco em defesa da educação pública

Nós, estudantes de Pernambuco, ocupamos as ruas para afirmar que educação não é mercadoria e o futuro da juventude não pode ser tratado como projeto de poder de nenhuma família. 

Nós, estudantes organizados na UNE, UBES, UEP e UMES, viemos a público denunciar o que Flávio Bolsonaro representa para a educação brasileira. Ele é herdeiro direto de um governo que tratou a educação como inimiga e nós não esqueceremos o que aconteceu com as universidades, institutos federais, escolas, estudantes, professores, técnicos e pesquisadores durante o governo do seu pai, Jair Bolsonaro. Foram anos marcados por bloqueios e restrições orçamentárias que atingiram diretamente a educação federal, o sucateamento do ensino técnico e a transformação da sala de aula em palco de perseguição ideológica contra nós. 

Flávio Bolsonaro não representa apenas esse passado. Em meio ao escândalo do Banco Master e às investigações que alcançam suas relações com Daniel Vorcaro, assistimos novamente à extrema direita criar cortinas de fumaça, atacar as instituições brasileiras e buscar apoio político no exterior. Para nós, isso revela uma disputa que também é sobre soberania:

A passagem de Flávio por Pernambuco acontece em um momento em que a educação precisa estar no centro do debate nacional. Ainda lembramos dos laboratórios sem funcionamento, das pesquisas interrompidas, a assistência estudantil ameaçada e o trabalhador da educação submetido à precarização. Nós sabemos na prática o que significa viver sob um projeto político de desmonte. Vivenciamos anos de cortes, bloqueios, ataques.

 A família Bolsonaro fala de educação a partir dos gabinetes e dos interesses do mercado, mas nós falamos a partir das salas de aula, dos corredores e da realidade de quem luta todos os dias para permanecer estudando. Para eles, é fácil defender uma educação voltada às demandas do setor produtivo, quando não se coloca em discussão a vida de quem precisa do Passe Livre para chegar à escola, de quem depende do restaurante universitário, quem trabalha 6×1 e estuda à noite e ainda enfrenta a falta de estrutura nas escolas e universidades públicas. O estudante que eles parecem enxergar é um número, uma futura mão de obra, uma peça para atender ao mercado, mas estamos aqui para dizer que somos muito mais que isso! Somos jovens que querem estudar, pesquisar, produzir cultura, transformar nossa comunidade e construir um futuro com dignidade.

 A juventude pernambucana não aceita um projeto que decide que lugar devemos ocupar antes mesmo de termos a oportunidade de escolher nossos próprios caminhos. Nós não queremos uma educação que determine previamente qual lugar a juventude filha da classe trabalhadora deve ocupar. Não queremos uma escola que enxergue o estudante apenas como futura mão de obra barata a mercê de uma escala 6×1  Queremos uma educação que nos permita escolher nossos próprios caminhos, produzir conhecimento, desenvolver ciência, criar cultura, transformar nossas comunidades e participar das decisões sobre o futuro do país. 

Por isso, não aceitaremos que o futuro da educação brasileira seja decidido longe de quem vive a nossa realidade. Precisamos de representantes que defendem uma educação que esteja a serviço do povo, que dê continuidade a políticas públicas que colocam a educação, a ciência e a permanência estudantil no centro da agenda nacional. Nós queremos um país em que estudar não seja privilégio, que não seja um ato de resistência como o de hoje, queremos dignidade e plenitude para sonhar. Nós vivemos esse período e reconhecemos que existem dois projetos de educação e, no fundo, dois projetos de Brasil em disputa. 

E nós também sabemos qual projeto queremos defender. Depois de anos de desmonte, vimos a educação voltar ao centro da agenda nacional com o governo do presidente Lula. A retomada dos investimentos nas universidades e Institutos Federais, a expansão da Rede Federal, o Pé-de-Meia, o fortalecimento da educação em tempo integral e das políticas de permanência e a retomada dos investimentos em ciência demonstram que existe outro caminho possível para o Brasil. 

Hoje não estamos apenas denunciando, estamos convocando os estudantes de Pernambuco a ocuparem os espaços de decisão e a defenderem nas ruas o projeto de educação que queremos construir. Contra qualquer tentativa de retrocesso, nossa resposta será organização. Contra aqueles que querem decidir nosso futuro por nós, nossa resposta será a construção de um Brasil soberano, capaz de desenvolver ciência, tecnologia e capacidade produtiva  nacional. A juventude pernambucana não será espectadora da própria história, pois em terra de Lula, a educação não se entrega!

Editado por: Gia Matheus Almeida

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