Cerco às apostas

Lula apresenta MP das Bets na próxima quarta; texto prevê restrição de publicidade, mas não acaba com apostas

Regulação vai focar nos jogos e cassinos online, mas deixa de fora as apostas esportivas e os patrocínios

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva. | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Na próxima quarta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende assinar uma Medida Provisória (MP) para uma regulamentação mais firme das Bets. Jogos e cassinos online, como o chamado jogo do “Tigrinho”, devem ser proibidos. Já as apostas esportivas não serão proibidas, como vinha sendo alardeado desde a quinta-feira (17), mas devem sofrer maiores restrições de publicidade, segundo fontes ouvidas pelo Brasil de Fato.

A princípio, o governo estudou proibir completamente as bets, o que provocou a reação dos cartolas do futebol. Na quinta-feira (17), as federações paulista, carioca e baiana de futebol, e clubes das séries A e B, divulgaram o manifesto “O fim do futebol brasileiro”, criticando as propostas do governo e do Congresso, alegando risco de “insolvência” financeira e perdas de até R$ 1 bilhão em patrocínios.

Membros do governo acreditam que, mesmo sem as apostas nas restrições, haverá reação de setores financiados pelas bets, já que os cassinos e jogos online, como o “Tigrinho”, que atingem boa parte dos seus ganhos. Do outro lado, o governo acredita que já há um sentimento popular contra as apostas eletrônicas.

Esse sentimento pode ser medido, de certa forma, pela reação negativa nas redes sociais, após o manifesto que teve, entre seus signatários, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Botafogo, Vasco, Fluminense, Cruzeiro e Grêmio.

Os torcedores encheram as redes com posts, lembrando que os clubes existem há décadas sem o dinheiro das bets e questionando a dependência financeira dos dirigentes e o descaso quanto aos problemas de vício e endividamento.

“Mico”, “vergonha nacional”, “canalhice”, “nota ridícula” foram algumas das palavras usadas pelos torcedores dos grandes times. As lideranças de torcidas, entidades de torcidas organizadas e outras associações ligadas aos times também reagiram, repudiando o tom alarmista das diretorias e defendendo o fim das apostas no esporte.

Lula, por sua vez, tem aumentado o tom contra as bets, chamando-as de “doença” ou “desgraça da mentira”, por exemplo. Em abril, o presidente já tinha questionado essa dependência dos clubes sobre as bets. “O futebol viveu um século e meio sem as bets”, disse na ocasião.

Editado por: Rodrigo Gomes

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