O presidente da Rússia, Vladimir Putin, transferiu para a administração temporária de uma empresa russa os ativos de multinacionais europeias que operam no país, incluindo a suíça Nestlé, a francesa Auchan e a antiga Leroy Merlin, atualmente chamada Lemana Pro. A decisão foi formalizada por decreto publicado na quinta-feira (17) no portal oficial de informações jurídicas da Rússia.
As participações das empresas foram transferidas para a administração da L.E.V. Management, sociedade registrada em Moscou. A medida também abrange ativos de subsidiárias da empresa francesa de logística FM Logistic.
Segundo o jornal russo Kommersant, o decreto inclui participações da Nestlé Rússia e da Nestlé Kuban, além da subsidiária russa da Auchan e de empresas ligadas à antiga Leroy Merlin.
Ao comentar a decisão, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou, nesta sexta-feira (18), que a transferência dos ativos da Nestlé e da Auchan para a gestão estatal temporária se deve ao fato de essas empresas serem de países considerados hostis a Moscou.
“Estamos falando de empresas europeias, de países considerados hostis. E, claro, um dos fatores levados em conta nessa decisão foi o fato de esses países hostis estarem atualmente envolvidos em ações militares contra o nosso país”, afirmou.
Peskov declarou também que a decisão de transferir os ativos para a L.E.V. Management para gestão temporária foi tomada porque essa era a empresa que “melhor atendia aos critérios necessários”.
O porta-voz do Kremlin também relacionou a medida à participação desses países em ataques contra infraestruturas civis e econômicas russas. Peskov não apresentou detalhes específicos sobre a participação das empresas atingidas em incidentes militares ligados ao conflito com a Ucrânia.
A transferência ocorre por meio do mecanismo de administração temporária, utilizado pelo governo russo desde 2023 para assumir o controle operacional de ativos de empresas estrangeiras. A medida não implica, por si só, uma mudança definitiva de propriedade, embora casos anteriores tenham sido seguidos por vendas ou transferências dos negócios a compradores russos.
Suíça busca reverter decisão
O governo suíço manifestou preocupação com a transferência dos ativos da Nestlé e afirmou que pretende trabalhar para reverter a decisão. A Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça e o Ministério das Relações Exteriores, citados pela Reuters, afirmam que estão coordenando esforços com a empresa há várias semanas.
O lado suíço busca garantir que a Nestlé tenha a oportunidade de apresentar sua posição às autoridades russas e contestar a medida por meio dos canais diplomáticos. A empresa, por sua vez, afirmou, nesta sexta-feira, que está avaliando a situação e as opções disponíveis para proteger seus direitos e assegurar a continuidade das operações.
“A empresa está avaliando a situação e seus possíveis cursos de ação. A Nestlé planeja tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações comerciais no interesse de todas as partes interessadas, especialmente seus funcionários”, afirmou a empresa em comunicado.

