Eleições 2026

Quais as propostas sobre meio ambiente dos candidatos ao governo do Distrito Federal?

Saneamento, recursos hídricos, gestão de resíduos e energia limpa estão estre as propostas

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Marcado por anos de poluição e problemas de saneamento, Rio Melchior é foco de novas medidas de recuperação
Marcado por anos de poluição e problemas de saneamento, Rio Melchior é foco de novas medidas de recuperação | Crédito: Ângelo Pignaton/Agência CLDF

A questão ambiental figura no programa de todas as candidaturas ao Governo do Distrito Federal (GDF). A poucas semanas da votação, os dez nomes da disputa sugerem soluções variadas para problemáticas que envolvem saneamento básico, preservação da água, energia limpa e outros desafios referentes à proteção ecológica da capital.

Algumas propostas apoiam a estatização integral dos serviços de limpeza urbana. Outras apostam em investir na melhoria de cooperativas de catadores. Também há projetos que defendem a expansão da arborização nas periferias. Ainda há planos que falam em recuperar nascentes degradadas, além de endurecer leis relacionadas à expansão urbana para preservar áreas de conservação.

O Brasil de Fato DF mostrou que o Cerrado, no qual o território do DF está inserido, é o bioma mais atingido pelos incêndios no país em razão da seca e do avanço do desmatamento. Somente em agosto, mais de 613 hectares de parques de proteção foram atingidos por queimadas.

Confira as principais ideias dos candidatos ao GDF para o meio ambiente:

Leandro Grass

O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) pretende universalizar o saneamento nas áreas vulneráveis e garantir a segurança hídrica do DF. O plano prevê a recuperação das bacias do Descoberto, Paranoá e São Bartolomeu, além de ampliar o Programa Cisternas, iniciativa que leva estruturas de armazenamento de água para comunidades rurais. Outra proposta é aumentar investimentos na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), responsável por prestar assistência a produtores agrícolas.

Uma das metas até 2030 é criar um programa de arborização das periferias e solarizar o setor público. Grass propõe estabelecer metas de plantio por região administrativa com espécies do Cerrado, priorizando ilhas de calor nas regiões administrativas de Ceilândia, Samambaia e Planaltina. O programa DF Solar também prevê a instalação de energia solar em escolas, hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Roberto Arruda

O plano do ex-governador filiado ao Partido Social Democrático (PSD) apresenta, como meta, a criação do Plano Distrital de Segurança Hídrica e Resiliência Climática. A ideia é que o programa estabeleça ações de reuso da água e monitoramento ambiental. O plano também fala em universalizar serviços como o abastecimento de água e tratamento de esgoto. Outro ponto defendido é levar a coleta seletiva a 100% de cobertura no DF.

O programa também sugere ações de adaptação às mudanças climáticas e menciona formas de combater incêndios, além de formas sustentáveis de utilização dos recursos naturais. Na área de ecoturismo, defende criar o Circuito Águas de Brasília e implantar trilhas de observação de aves em parques públicos.

Kiko Caputo

O candidato do partido Novo tem como eixo de seu plano de governo criar redes de proteção de nascentes e modernizar sistemas de abastecimento de água. Também propõe universalizar o saneamento básico, além de melhorar a estrutura de estações de tratamento de esgoto. Outra proposta é aproveitar o lodo para a produção de adubo orgânico.

Caputo ainda aponta para a necessidade de preservação de matas ciliares e o fortalecimento da proteção de parques contra incêndios florestais. Ele promete investir em políticas de reciclagem para a produção de energia a partir dos resíduos inutilizáveis.

Na área de mobilidade, o programa do candidato promete aumentar pontos de recarga para veículos elétricos e melhorar a infraestrutura para bicicletas e outros meios de transporte de baixa emissão.

Paula Belmonte

O plano da deputada distrital do PSDB apresenta o programa “Cuidar da cidade”, que inclui propostas para conciliar desenvolvimento urbano com a preservação ambiental. A prioridade é a proteção das populações que vivem em territórios vulneráveis. Assim como o de outros candidatos, também prevê a proteção de nascentes e córregos, somado à recuperação de áreas verdes, como parques e unidades de preservação.

Belmonte quer criar um planejamento urbano adaptado às mudanças climáticas. Ela propõe criar ferramentas capazes de prever riscos, como, por exemplo, indícios de incêndio. A candidata defende ainda políticas de reciclagem e reaproveitamento de materiais inservíveis.

Elisson Ferreira

Para a proteção dos cursos d’água, Elisson Ferreira (Agir) apresenta um plano dividido em três programas: Água no Presente, voltado à segurança hídrica; o Circuito das Nascentes, para recuperação e proteção de córregos; e o Chuva que Fica, focado no aproveitamento da água da chuva. Assim como os demais, o candidato também defende a universalização dos serviços de abastecimento de água e de tratamento de esgoto.

A proposta também conta com o programa Cerrado de Pé, voltado à proteção da vegetação nativa. Outro programa é a Rede Sentinela do Cerrado, que pretende fazer o uso de câmeras e sensores em região de mata para detectar queimadas.

Ferreira também propõe expandir a energia solar, com foco na eletromobilidade. Além disso, o candidato quer criar uma rede de carregadores para veículos elétricos, aliada à implantação de ônibus elétricos ou de baixa emissão de gases poluentes. O candidato estuda a possibilidade de levar energia solar ou contratação equivalente a pelo menos 300 prédios públicos.

Celina Leão

No seu plano, a atual governadora Celina Leão (PP) apresenta o programa DF Circular e Sustentável, focado na reciclagem e comercialização de resíduos inutilizáveis. Ela também pretende combater o descarte de lixo e entulho por meio do programa Brasília Lixo Zero.

Além do monitoramento de áreas de risco e da revitalização de parques públicos, a candidata propõe fortalecer empreendimentos sustentáveis e estimular atividades ligadas à bioeconomia. Para a mobilidade, o plano inclui ampliar ciclovias e ciclofaixas.

Ricardo Capelli

O candidato do PSB Ricardo Cappelli propõe o programa “Resíduo é recurso”, cujo objetivo é reduzir a quantidade de materiais que vão para o aterro sanitário. O candidato também pretende investir na estrutura e capacidade produtiva das cooperativas de recicladores. Conforme o plano, ele promete apresentar um programa específico para fortalecimento dessas organizações nos primeiros 100 dias de mandato.

Cappelli também defende que construções urbanas deverão observar as normas de proteção ambiental e exige que novos projetos imobiliários se submetam às regras de ocupação do território.

Samara Mineiro

Uma das propostas de Samara Mineiro (UP) é proibir a aplicação de agrotóxicos em áreas de nascentes. A candidata deseja promover educação ambiental em regiões administrativas por meio da criação de hortas comunitárias. O plano também quer endurecer regras ambientais para conter o avanço desordenado da cidade com o objetivo de proteger o Cerrado.

Para o bem-estar animal, ela propõe criar novas políticas para expandir o atendimento veterinário gratuito, o que inclui serviços como castração, vacinação e acolhimento temporário. Já em áreas rurais, o plano é recuperar as Centrais de Abastecimento do DF (CeasaDF) para fortalecer a agricultura familiar.

Professor Robson

Professor Robson (PSTU) tem como uma das principais propostas estatizar o manejo do lixo e a recuperação da bacia do Descoberto. Segundo seu plano, o curso d’água é considerado a reserva hídrica mais degradada pela ação humana. O programa também quer proibir novas construções imobiliárias na Serrinha do Paranoá e revogar o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal (Pdot) de 2026 para elaborar um novo plano que leve em consideração as regras de proteção ambiental.

Robson também sugere revitalizar o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e manter o descarte de resíduos sob tutela integral do Estado, além de construir uma fábrica estatal de reciclagem administrada pelo SLU.

Na área climática, o candidato propõe expandir a plantação de árvores, principalmente nas regiões administrativas, para melhorar o conforto térmico.

Expedito Mendonça

As propostas do candidato Expedito Mendonça, do Partido da Causa Operária (PCO), são as mesmas apresentadas no programa nacional da legenda. Embora não apresente projetos específicos para as mudanças climáticas do DF, o PCO defende a reforma agrária e o assentamento de famílias sem terra. O documento também pretende expulsar latifundiários de territórios indígenas e estatizar reservas minerais. O objetivo seria destinar os lucros obtidos pela exploração dos recursos naturais para investir em políticas de moradia, educação e saúde.


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Editado por: Clivia Mesquita

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