EMENDAS DA SAÚDE

Vereador e candidato a deputado estadual, Giovane Byl (Podemos) é preso em Porto Alegre

Operação do Ministério Público apura suspeita de desvio de mais de R$ 2 milhões destinados a projetos de saúde

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Giovane Byl (Podemos) foi preso em operação que investiga suspeitas de desvio de recursos do Fundo Municipal de Saúde de Porto Alegre
Giovane Byl (Podemos) foi preso em operação que investiga suspeitas de desvio de recursos do Fundo Municipal de Saúde de Porto Alegre | Crédito: Leonardo Lopes/CMPA

O vereador de Porto Alegre e candidato a deputado estadual Giovane Byl (Podemos) foi preso preventivamente nesta sexta-feira (18), durante a Operação Cinesia, que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados à saúde. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a apuração envolve mais de R$ 2 milhões repassados pelo Fundo Municipal de Saúde.

A ação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em Porto Alegre e Imbé, no Litoral Norte. Além do parlamentar, foram presos um assessor, um advogado e outro ex-dirigente da organização da sociedade civil que recebeu os recursos para executar projetos na área da saúde. Conforme o MPRS, o advogado também havia integrado a direção da instituição.

De acordo com a investigação, valores depositados em contas vinculadas aos projetos na área da saúde eram transferidos para contas de livre movimentação da entidade e depois distribuídos entre empresas e investigados. Uma empresa ligada à administração da organização recebeu mais de R$ 1,9 milhão.

A apuração também identificou indícios de recomposição das contas fiscalizadas para aparentar regularidade financeira. Segundo o Ministério Público, após a solicitação de extratos bancários, o grupo teria providenciado empréstimos em nome da entidade para devolver parte dos recursos às contas fiscalizadas.

Candidatura e alianças eleitorais

Byl está no segundo mandato na Câmara Municipal. Foi reeleito em 2024 com 12.115 votos, conforme o perfil publicado pelo Legislativo, e disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos nas eleições deste ano.

Na disputa pelo governo estadual, o Podemos integra a coligação “O Rio Grande Pode Mais”, que tem Luciano Zucco (PL) como candidato a governador e Silvana Covatti (PP) como candidata a vice. Na eleição presidencial, a direção nacional do partido decidiu permanecer neutra, sem apoio formal a uma candidatura.

A investigação segue sob sigilo e é coordenada pela promotora Roberta Brenner de Moraes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Brigada Militar. O MPRS ressalta que a atual gestão da organização não integra os fatos investigados e colabora com o fornecimento de documentos e informações.

O que dizem a Câmara e o Podemos RS

Em nota assinada pelo presidente Moisés Barboza, a Câmara Municipal de Porto Alegre afirmou ter sido surpreendida pela operação, que também teve procedimentos realizados nas dependências do Legislativo. A instituição declarou que seguirá colaborando com a investigação, disponibilizando informações e documentos formalmente solicitados pelas autoridades.

Barboza também defendeu o respeito à independência dos órgãos de investigação, ao devido processo legal e à ampla defesa, “sem qualquer julgamento antecipado acerca dos fatos ou de eventuais responsabilidades”. Segundo a nota, a Câmara aguardará o avanço das apurações e os esclarecimentos das autoridades para adotar as providências que couberem às suas atribuições.

O diretório estadual do Podemos RS informou, em nota, que tomou conhecimento da operação nesta sexta-feira (18) e que respeita a atuação das autoridades responsáveis. O partido defendeu que os fatos sejam esclarecidos pelas instituições competentes, preservando o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência, sem conclusões sobre responsabilidades enquanto a investigação estiver em andamento.

A legenda reafirmou seu compromisso com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos. “Recursos destinados à saúde devem cumprir integralmente sua finalidade e beneficiar a população”, afirmou o diretório estadual. Também declarou que acompanhará as investigações, colaborará com os esclarecimentos necessários e adotará as providências de sua competência diante de novos fatos oficialmente apresentados pelas autoridades.

O Brasil de Fato RS busca contato com a defesa de Byl para obter um posicionamento sobre a operação. Até a publicação desta matéria, não houve manifestação. O espaço permanece aberto.

Editado por: Marcelo Ferreira

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