ELEIÇÕES

Extrema direita avança em eleições estaduais na Alemanha e amplia pressão sobre Merz

Chanceler alemão se pronunciou após resultados parciais e prometeu reforma para barrar escalada autoritária

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Chanceler Friedrich Merz fez balanço negativo das eleições deste domingo (20) mas diz que permanecerá no governo.
Chanceler Friedrich Merz fez balanço negativo das eleições deste domingo (20) mas diz que permanecerá no governo. | Crédito: Michael Kappeler/AFP

A extrema direita voltou a crescer nas eleições estaduais para o Parlamento, neste domingo (20), na Alemanha. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido da extrema direita e anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece na liderança, enquanto em Berlim o partido A Esquerda está à frente, de acordo com os resultados preliminares. O resultado aponta para uma nova derrota para a União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz. 

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD alcançou cerca de 37% dos votos, seguida pelo Partido Social-Democrata (SPD), com 35,5%. A CDU teve uma votação próxima de 5,5%, o que pode impedir que o partido ocupe cadeiras no Parlamento estadual. Apesar da liderança da AfD, os outros partidos mantêm firme a decisão de manter um “cordão sanitário” e rejeitam a possibilidade de uma coalizão com a legenda. 

Já em Berlim, A Esquerda ficou na primeira colocação, com cerca de 24,5%, seguida pela CDU, com 20%. A AfD aparece em terceiro, com 16%. Na capital do país, o debate eleitoral foi marcado por discussões sobre a crise habitacional e o aumento dos preços dos aluguéis. 

Após o fechamento das urnas, Merz fez um pronunciamento tido como “incomum” e reconheceu que o resultado, especialmente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, foi um desastre para seu partido. O chanceler afirmou que pretende permanecer no cargo e prometeu avançar com reformas para enfrentar os problemas econômicos e políticos do país. 

Merz afirmou que assume a responsabilidade pelos resultados e declarou que as reformas exigirão “coragem, firmeza e paciência”. De acordo com o chanceler, as mudanças podem ser uma resposta ao avanço de ideias autoritárias no país. A declaração ocorre após semanas de pressão dentro da própria CDU sobre sua liderança, já que, em 2018, quando disputava o posto de presidente do partido, Merz prometeu que, sob sua liderança, o apoio à AfD poderia ser reduzido pela metade, o que não aconteceu e, em territórios como a Saxônia-Anhalt, aconteceu o contrário, com a AfD dobrando sua votação. 

As eleições deste domingo ocorrem duas semanas após o avanço histórico da AfD na Saxônia-Anhalt, onde a extrema direita obteve 43,8% dos votos em 6 de setembro, enquanto a CDU caiu para 17,2%. Na ocasião, Merz afirmou estar “profundamente chocado” com a derrota e disse que não pretendia abandonar o governo. 

*Com informações da Deutsche Welle e Opera Mundi

Editado por: Monyse Ravena

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