Eleições 2026

Debate para o Senado expõe fragilidades de André do Prado e Marina Silva critica tom de direitistas: ‘Homens tóxicos’

Candidatos conservadores trocam acusações em tóm belico, enquanto Marina Silva e Simone Tebet denunciam machismo

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Debate do UOL e FOlha de São Paulo com candidatos ao Senado
Debate do UOL e FOlha de São Paulo com candidatos ao Senado | Crédito: Foto: Divulgação/Canal do Youtube do UOL

O debate entre os candidatos ao Senado por São Paulo, promovido conjuntamente pelo jornal Folha de São Paulo e pelo site UOL nesta segunda-feira (21), foi marcado por trocas de acusações, embates intensos entre os candidatos direitistas e críticas contundentes do bloco progressista ao tom das discussões. Participaram do encontro as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), o deputado estadual André do Prado (PL) e os deputados federais Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo).

Logo no primeiro bloco, a disputa pelo eleitorado conservador dominou a cena em um confronto entre André do Prado, que atacou Salles afirmando que ele teria “medinho” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), referindo-se às investigações que miram Salles por um suposto esquema de exportação e contrabando de madeira ilegal da Amazônia.

Segundo o candidato do PL, essa apreensão explicaria o fato de Salles não ter assinado um pedido de investigação contra o ministro em uma comissão mista no Congresso Nacional. O bate-boca entre os dois desdobrou-se ao longo do debate, expondo as fragilidades e divisões da direita.

Salles subiu o tom contra o grupo político do adversário ao declarar que a “turma do Centrão” utiliza a estrutura pública para interesses próprios. “É a mesma história que nós estamos vendo aí com essa turma ligada ao crime organizado que se infiltra em prefeitura, se infiltra em vários lugares. A turma do Centrão é esse modus operandi: eles pegam o poder para desviar dinheiro, para fazer esquema”, afirmou Salles.

Salles tenta transmitir ao eleitor o passado de Prado, que, antes da eleição, sempre se posicionou ao centro, com histórico de diálogo com o campo progressista, mas que adotou um discurso de extrema direita para disputar a eleição e dialogar com o eleitor bolsonarista.

Guilherme Derrite fez críticas direcionadas às candidatas, e as representantes do campo progressista adotaram uma estratégia de aliança. Marina Silva e Simone Tebet atuaram de forma afinada, complementando discursos e apontando posturas machistas de seus opositores.

Tebet defendeu mudanças profundas na composição da Suprema Corte, propondo paridade e diversidade nas futuras nomeações. “Enquanto não tivermos pelo menos cinco mulheres e seis homens, os próximos presidentes têm que indicar uma mulher, um homem, alternadamente, para colocar ordem nessa casa [STF] e combater a corrupção. Inclusive, com uma cota racial”, declarou a candidata do PSB.

Marina Silva reforçou o posicionamento contra o tom bélico adotado pelos concorrentes masculinos e rebateu a constante cobrança direcionada às mulheres na política, classificando o comportamento como desqualificação sistemática.

“Isso se chama teste de competência de gênero, porque o tempo todo esses homens tóxicos querem nos descredibilizar. Uma advogada não tem obrigação de saber todas as coisas, todas as leis, assim como nenhum deles sabe sobre todas as coisas”, pontuou Marina.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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