As cinco maiores redes de televisão dos Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (21), a suspensão da cobertura conjunta que fazem dos eventos do presidente Donald Trump, em reação ao veto imposto pela Casa Branca a jornalistas da CNN, da MS Now e do site Politico. Aderiram ao boicote a ABC, a CBS, a CNN, a NBC e até a Fox News, emissora alinhada ao governo.
“O público tem um interesse vital em receber informações precisas e independentes sobre seu governo. Nenhuma administração deve restringir uma organização de notícias por discordar de suas reportagens”, afirmaram as cinco redes em uma rara declaração conjunta.
Por um acordo que vigora há décadas, as emissoras se revezam diariamente na formação do chamado pool, equipe que filma o presidente e distribui as imagens para as demais redes, para TVs locais e para veículos do mundo inteiro. Cada rede entra na escala com um cinegrafista, um técnico de áudio e um produtor ou repórter. Como a CNN está proibida de entrar no complexo presidencial, o rodízio foi interrompido.
‘Não haverá grupo substituto’
Bryan Boughton, chefe da sucursal da Fox News em Washington e atual presidente do pool, afirmou, em e-mail aos integrantes do grupo, que o “comunicado serve para informar que, a partir de hoje, a equipe de transmissão televisiva não cobrirá eventos designados como cobertura conjunta do presidente”, reforçando que “não haverá um grupo substituto”. Segundo ele, as demais transmissões seguem normalmente, incluindo a cobertura do Congresso e de eventos selecionados na capital e no restante do país.
A paralisação começa em uma semana de agenda internacional intensa. A CNN estava escalada para atuar como emissora principal nesta segunda-feira e para acompanhar Trump a Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). A programação de imprensa divulgada pela Casa Branca no domingo (20) não listou nenhuma emissora principal para segunda. Como equipes secundárias, que comparecem aos eventos e podem fazer perguntas, mas não exercem as funções da equipe principal, apareceram a Hearst, dona de emissoras locais, em Washington, e a Real America’s Voice, pequena rede pró-Trump, na viagem a Nova York.
“Quando o presidente fizer qualquer coisa hoje, não haverá nenhuma câmera de TV com o presidente transmitindo e compartilhando essas imagens”, resumiu a jornalista Kaitlan Collins, da CNN.
Ação judicial com base na Primeira Emenda
Também nesta segunda, CNN, MS Now e Politico entraram com ação na Justiça estadunidense com base na Primeira Emenda, pedindo a derrubada da proibição e a devolução das credenciais apreendidas no sábado (19). “Temos o direito, garantido pela Constituição dos EUA, de fazer nossas reportagens sem impedimentos ou interferências do governo, e essa proibição é um ataque ilegal a esse direito fundamental”, afirmou a CNN.
Trump negou nesta segunda que mire a liberdade de imprensa. “A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS”, escreveu na rede social Truth Social, sem apresentar provas de que os veículos banidos tenham divulgado informações falsas. Os três negam a acusação.
Não é a primeira vez que o governo restringe o trabalho da imprensa na Casa Branca. No ano passado, a gestão limitou o acesso da agência Associated Press (AP), e o espaço reservado a veículos e canais de redes sociais ideologicamente alinhados ao presidente vem crescendo. A própria CNN só passou a integrar o pool depois de processar, em 1981, o governo de Ronald Reagan e as redes ABC, CBS e NBC. A Fox News foi incluída mais tarde.
*Com informações do G1 e da CNN.

