Em encontro que deveria ser um debate organizado pela TV Record, o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), esteve sozinho no estúdio. O atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), faltou ao evento, deixando o púlpito com seu nome vazio no palco do programa.
Em função do descumprimento do compromisso por Tarcísio, a emissora transformou o espaço em uma sabatina com Haddad. A transmissão ocorreu em um canal cujo proprietário, Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, é um reconhecido apoiador do partido do atual governador, o Republicanos. Algumas lideranças da congregação, inclusive, costumam se candidatar pela legenda.
A equipe de campanha de Tarcísio justificou a ausência alegando que a prioridade neste momento é “conciliar as agendas de candidato com a de governador” e afirmou, em nota enviada à Record, que os temas essenciais “têm sido debatidos diariamente ao longo da campanha”.
Para Haddad, no entanto, o não comparecimento reflete uma manobra deliberada para fugir do confronto de propostas. “Em uma eleição com apenas dois candidatos com pontuação elevada, essa decisão é ruim para a democracia porque sonega ao eleitor a oportunidade de comparar”, declarou o candidato do PT.
Até aqui, a corrida eleitoral paulista contou com apenas um debate com a presença de ambos os adversários, realizado no dia 9 de agosto, na Band, marcado por forte repercussão e troca de acusações.
Aproveitando o tempo de exposição na sabatina, Haddad voltou a focar em uma das principais pautas do estado: o processo de privatização da Sabesp. O candidato lembrou que, ainda nas eleições de 2022, havia emitido alertas sobre os riscos da entrega da companhia ao setor privado.
Segundo Haddad, as promessas de que a desestatização resultaria em tarifas mais baixas para a população não se concretizaram. O petista também negou que, caso eleito, vá privatizar as linhas do Metrô.
“Eu não vou privatizar as linhas do metrô, nem as novas, nem as que não foram privatizadas, porque isso não está dando certo para o usuário”, afirmou Haddad. “O estado de São Paulo, sob o meu comando, vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado. A Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho, porque ela tem muita ganância para se apropriar do que é público e pouca vontade de entregar o que prometeu antes da privatização.”
Segundo Haddad, a gestão de Tarcísio tem problemas na relação com fornecedores que precisam ser investigados. “Eu pretendo rever todos os contratos assinados pelo Tarcísio, assim como eu fiz quando eu fui ministro da Fazenda. Eu tive que rever os contratos que ele assinou quando ele era ministro da Infraestrutura, que eram lesivos ao interesse público”, finalizou.

