CHUVAS FORTES

Em meio a cheias, quilombolas utilizam tirolesa para sair da comunidade: ‘precisamos que o governo se manifeste’

Território está sem acesso à energia, internet e outros serviços básicos, após enchentes na região de Adrianópolis (PR)

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Quilombos da região do Vale do Ribeira estão há uma semana impedidos de acessar serviços básicos.
Quilombos da região do Vale do Ribeira estão há uma semana impedidos de acessar serviços básicos. | Crédito: Reprodução/Vanessa Cordeiro

Há semanas, os territórios quilombolas vêm enfrentando dificuldades antigas, agora mais intensas devido às enchentes no Rio Ribeira do Iguape e seus afluentes. No quilombo Estreitinho, em Adrianópolis (PR), além de as famílias estarem sem energia e internet, os moradores estão tendo que utilizar uma tirolesa improvisada para entrar e sair da comunidade.

Antes das fortes tempestades que atingiram a região entre Paraná e São Paulo, os moradores dos quilombos já tinham suas dificuldades. No Estreitinho, os quilombolas vinham solicitando ao poder público a construção de uma ponte que interligasse a comunidade à região terrestre de Adrianópolis (PR).

Para sair do quilombo e chegar à cidade, era preciso utilizar um bote emprestado que foi perdido durante as enchentes. Com isso, a comunidade precisou pensar em uma maneira para atravessar o Rio Pardo. As famílias tiveram que montar uma tirolesa improvisada com cordas e uma pequena estrutura de madeira.

O meio de cruzar as águas serviu, mas apresenta riscos pela desconfiança na estabilidade das cordas e da “cesta” de madeira construída para carregar as pessoas. No último final de semana, um barco foi cedido para a travessia dos moradores. “A represa ainda está soltando muita água lá em cima e, com a chuva, o rio não abaixa. Precisamos de uma passarela urgente”, relata Vanessa Cordeiro, moradora do quilombo Estreitinho.

Na região do Estreitinho, as famílias lidam com a falta de internet – essencial para a comunicação de riscos – e agora, com o sistema de rede elétrica precária que sofre interrupção pelas fortes tempestades. Essas dificuldades implicam na segurança de quem vive no território, que se sente desamparado pelo governo estadual e municipal. 

Famílias improvisam passagem arriscada, para entrar e sair da comunidade. | Crédito: Reprodução/Vanessa Cordeiro

Falta de assistência

“A gente precisa que o governo do Paraná se manifeste”, conta Cordeiro, em reclamação à insuficiência das ações do estado para apoio ao Estreitinho. De acordo com ela, kits de alimentos foram distribuídos pela Defesa Civil à comunidade, mas ainda são muito insuficientes para suprir a demanda da emergência.

Em nota, a Defesa Civil do Paraná relatou que está auxiliando as famílias e planejando a recuperação dos recursos perdidos durante a cheia do Rio Ribeira do Iguape: “O Estado tem realizado as ações de atendimento e assistência às famílias afetadas desde o primeiro momento de informação das ocorrências, mobilizando equipes para o atendimento local e acompanhamento no nível estadual”, diz a nota.

Na quarta-feira (16), a Defesa Civil levou mantimentos e cestas básicas para as comunidades. Pelo uso de aeronaves, as equipes conseguiram chegar até os territórios e afirmam que seguirão em contato com os moradores até que seja restabelecido o fornecimento de água, energia e a mobilidade na região.

Na região, outras comunidades quilombolas estão sofrendo com os alagamentos.
Na região, outras comunidades quilombolas estão sofrendo com os alagamentos. | Crédito: Defesa Civil do Paraná

Cordeiro afirma, no entanto, que os esforços do Estado estão sendo insuficientes para apoiar a reestruturação da comunidade. Pelas redes sociais do quilombo, estão sendo arrecadados fundos para a compra de um barco para a comunidade.

Até o momento, a comunidade segue sem um meio oficial e seguro para travessia do Rio Pardo. O quilombo enfrenta também conflitos com o proprietário de uma fazenda da região, pela qual é preciso caminhar cerca de 3 quilômetros para acessar a tirolesa e o acesso fluvial ao barco.

*Estagiário sob supervisão de Murilo Bernardon.

Editado por: Murilo Bernardon

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