DEMOCRACIA

Judias e judeus gaúchos lançam manifesto em apoio a candidaturas progressistas

Carta do coletivo Estamos Aqui defende direitos humanos, diversidade e combate às discriminações

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Juliana Brizola e Lula encabeçam as chapas apoiadas pelo manifesto, ao lado de Edegar Pretto e Geraldo Alckmin
Juliana Brizola e Lula encabeçam as chapas apoiadas pelo manifesto, ao lado de Edegar Pretto e Geraldo Alckmin | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Um grupo de judias e judeus gaúchos identificados com o campo democrático-popular lançou o manifesto “Judias e judeus gaúchos com o campo progressista nas eleições de 2026”, acompanhado de um abaixo-assinado na plataforma Change.org. O documento está aberto à adesão e busca reunir assinaturas de membros da comunidade judaica que compartilhem dos princípios apresentados.

Organizado pelo coletivo Estamos Aqui, o manifesto recupera referências da tradição judaica, como Tikkun Olam, associado à ideia de reparar ou transformar o mundo, e Kevod HaBriot, relacionado à dignidade de todas as criaturas. O texto também menciona intelectuais e lideranças vinculadas às lutas por justiça e igualdade, entre elas Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Emma Goldman, Walter Benjamin, o rabino Abraham Joshua Heschel e Vladimir Herzog.

O documento declara apoio às candidaturas de Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) ao governo do Rio Grande do Sul e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) à Presidência da República.

A carta também aponta um cenário de crescimento do antissemitismo e de outras formas de preconceito e defende que o combate à discriminação contra judeus esteja articulado à luta contra o racismo, a islamofobia, a LGBTQIAfobia e outras formas de intolerância. O documento reivindica ainda os direitos dos povos originários e quilombolas e das religiões de matriz africana.

‘Nunca mais para nenhum povo’

Para o coletivo, o princípio de “Nunca mais” deve ultrapassar a experiência histórica do povo judeu. Diante da experiência de perseguição e de transformação de minorias em bodes expiatórios, a defesa da democracia deve estar vinculada à defesa do direito à vida, à liberdade e à autodeterminação de todos os povos.

Nesse sentido, o manifesto questiona a associação entre identidade judaica e posições políticas conservadoras ou de extrema direita. Para os signatários, a representação dos judeus como um grupo politicamente homogêneo não corresponde à pluralidade existente nas comunidades judaicas.

Segundo Renato Levin Borges, integrante do coletivo, a iniciativa busca explicitar a diversidade política entre judeus e judias. “A gente pensou nesse abaixo-assinado e carta aberta para evidenciar a multiplicidade da comunidade judaica gaúcha. Não podemos ser atrelados à extrema direita e ao bolsonarismo somente por sermos judeus, somos um grupo diverso”, conta Borges.

Movimento pela democracia

A mobilização de judeus pela democracia não é nova. Recentemente, o coletivo Judias e Judeus pela Democracia publicou um texto em apoio à chapa Lula-Alckmin, relacionando a memória histórica judaica e a defesa da democracia à proteção dos direitos humanos e das minorias.

Nos Estados Unidos, organizações como a Jews United for Democracy and Justice também articulam a defesa das instituições, dos direitos civis e da proteção das minorias a partir de perspectivas judaicas.

O abaixo-assinado gaúcho está disponível na plataforma Change.org e segue aberto a novas adesões. Para ler e assinar, acesse o link: Judias e judeus gaúchos com o campo progressista nas eleições de 2026 — Change.org.

Editado por: Marcelo Ferreira

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