Eleições 2026

MPE pede para barrar candidatura de Rueda por suposto vínculo com milícia no Rio de Janeiro

Dirigente do União Brasil transferiu domicílio eleitoral para disputa cargo eletivo pela primeira vez

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Presidente nacional do União Brasil é candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro
Presidente nacional do União Brasil é candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro | Crédito: Kalina Maurer/Comunicação União Brasil

O Ministério Público Eleitoral (MPE) defendeu vetar a candidatura de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Uma nova manifestação da Procuradora Regional, encaminhada na última sexta-feira (18) ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), sustenta que Rueda se beneficiou de uma estrutura político-territorial ligada a organizações paramilitares na Baixada Fluminense.

Segundo o parecer, lideranças locais relacionadas às milícias poderiam ter empregado sua capacidade de mobilização territorial e coerção em benefício da candidatura. 

Em 11 de setembro, o TRE-RJ determinou a coleta de documentos e informações oficiais para verificar as acusações apresentadas contra Rueda no processo. A corte solicitou informações à Polícia Federal, à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à Justiça, às polícias do Rio e à prefeitura de Belford Roxo. 

O documento cita Luiz Eduardo Santos de Araújo, conhecido como Eduardo Araújo, e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, que ocuparam cargos da prefeitura de Belford Roxo ao longo de 2025, durante a gestão de Márcio Canella (União Brasil). Os dois foram impedidos pela Justiça Eleitoral de concorrer à última eleição com base em condenações relacionadas à participação ou articulação de organizações paramilitares ou milícias.

A atuação política de Eduardo Araújo e Fabinho Varandão na campanha da dobradinha entre Rueda e Canella é apontada pela Procuradoria como “uma conexão eleitoral contemporânea entre o líder paramilitar e o candidato impugnado”.

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“[…] de forma paralela, a campanha de Antônio Rueda na Baixada Fluminense é estruturada e operacionalizada por Fábio Augusto de Oliveira Brasil, vulgo “Fabinho Varandão”, diz outro trecho do parecer do MPE. Vereador de Belford Roxo, Varandão teve o registro de candidatura indeferido por unanimidade em 2024, com base na regra constitucional que proíbe partidos de utilizar organizações paramilitares.

Segundo o MPE, diante dos fatos apresentados, o indeferimento do registro de candidatura de Ruede “não representa apenas uma exigência de estrita legalidade eleitoral, mas um imperativo de defesa do próprio Estado Democrático de Direito”. Leia o parecer na íntegra (neste link)

A manifestação do Ministério Público ainda será analisada pelo TRE-RJ, o que ainda não tem data marcada.

Dobradinha no RJ

O dirigente do União Brasil transferiu seu domicílio eleitoral para o Rio este ano e disputa pela primeira vez a um cargo eletivo. A estratégia do advogado pernambucano se apoia principalmente na Baixada Fluminense, onde Canella construiu sua trajetória política. 

Rueda informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 75,6 milhões em bens, o maior patrimônio declarado entre os candidatos a deputado federal no Rio de Janeiro. A maioria dos imóveis está localizada fora do estado, em Brasília e Pernambuco. 

A dobradinha com Canella, que disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa (Alerj), predomina nas agendas de campanha, nos materiais gráficos e também nas redes sociais. O ex-prefeito de Belford Roxo foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, que apura suposto braço político de organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis.

Outro lado

Em manifestação à Justiça Eleitoral, a defesa do candidato afirma não haver elementos que amparem a tese de coerção territorial. E ainda que as publicações de apoio de Araújo e Varandão foram espontâneas. “O apoio unilateral e não solicitado não vincula, não contamina e não transfere condição jurídica alguma à quem é objeto dele”, diz um trecho. Leia a defesa completa (neste link)

O Brasil de Fato também procurou a assessoria de Rueda por mensagem, WhatsApp, nas redes sociais e pelo e-mail do União Brasil.

Editado por: Clivia Mesquita

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