VOZES E TERRITÓRIOS

Podcast Vozes e Territórios estreia nesta quinta-feira (24) com o tema da economia solidária no RS

A educadora popular Gil Neves fala sobre autossustentabilidade, combate à fome e organização comunitária

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Gil Neves, educadora popular e convidada do primeiro episódio do podcast Igualdade e Cultura Negra: Vozes e Territórios, aborda a economia solidária e a organização das comunidades de matriz africana no RS
Gil Neves, educadora popular e convidada do primeiro episódio do podcast Igualdade e Cultura Negra: Vozes e Territórios, aborda a economia solidária e a organização das comunidades de matriz africana no RS | Crédito: Katia Marko

Nesta quinta-feira (24), às 19h, estreia no Youtube do ICPJ, do Brasil de Fato RS e nacional, o podcast Igualdade e Cultura Negra: Vozes e Territórios, com apresentação de Iyá Vera Soares, que conduz encontros com lideranças religiosas, pesquisadoras, educadoras e militantes do movimento negro ao longo de todo o programa. A data da estreia marca os 50 anos de assentamento da vasilha da orisà Oiá Laja da bacia de Pai Ivo de Ogum Onira D’oby da Nação Oyò de Iya Vera Soares.

O projeto é uma realização do Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ), por meio do Termo de Fomento nº 973281 do Ministério da Igualdade Racial do Governo Federal, com correalização do Brasil de Fato RS. E percorre temas como visão de mundo africana, saúde pública, ervas medicinais, economia solidária, cooperativismo negro, cultura ancestral e educação de matriz africana. Cada episódio parte de uma conversa com uma convidada ou convidado que atua diretamente com o tema abordado, unindo vivência de terreiro, produção acadêmica e militância política.

O primeiro episódio debaterá a relação entre os povos de terreiro e a economia solidária. A convidada Gil Neves, educadora popular com atuação junto às comunidades de matriz africana no Rio Grande do Sul, fala sobre organização comunitária, segurança alimentar e estratégias de enfrentamento à fome, à desigualdade social e ao racismo estrutural.

Gil conta que seu contato com a economia solidária começou a partir de experiências familiares e comunitárias na vila Cruzeiro, onde sua avó já praticava formas de troca e solidariedade entre vizinhos para enfrentar a fome. Posteriormente, em 2008, ao ingressar na organização Maria Mulher, começou a trabalhar com alimentação, feiras e organização comunitária. Em 2012, aproximou-se ainda mais das comunidades de matriz africana e passou a atuar como educadora na área, através do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP) – Escola do Bem Viver.

A convidada também destaca o papel das mulheres negras na construção da economia solidária. Segundo Gil, ocupar espaços historicamente negados às mulheres negras foi um processo desafiador, mas a organização coletiva contribuiu para fortalecer a autonomia e o empoderamento econômico dessas mulheres. Para ela, combater a desigualdade não significa apenas distribuir cestas básicas, mas garantir trabalho, renda, água, saúde, segurança e reconhecimento.

Entre os temas centrais do episódio está a ocupação de territórios. Gil relata as dificuldades enfrentadas para acessar espaços públicos e comerciais e denuncia processos de deslegitimação e apropriação da história construída por mulheres negras e comunidades de matriz africana. Diante disso, ela considera fundamental registrar e preservar essas histórias. 

O episódio também aborda os quilombos, a agricultura familiar e o etnodesenvolvimento. Gil defende políticas que considerem a realidade e a ancestralidade desses territórios, com investimentos em máquinas, infraestrutura, cooperativas e formas de comercialização. Segundo ela, essas medidas podem contribuir para ampliar a produção dos quilombos e fortalecer a circulação de recursos dentro das próprias comunidades.

Por fim, Gil destaca que as comunidades já vêm se organizando por meio de cooperativas, associações e projetos, mas ainda enfrentam dificuldades para acessar financiamentos devido à burocracia. A entrevistada defende maior articulação entre as comunidades de matriz africana e quilombolas, além da criação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, ao financiamento e ao desenvolvimento econômico.

A série reúne 12 episódios dedicados à história, aos saberes, à espiritualidade, à cultura e às lutas da população negra no Rio Grande do Sul. Os episódios irão ao ar toda quinta-feira, às 19h, até dezembro. O podcast também será exibido nas sextas-feiras, às 11h, na TV Mais.

Editado por: Katia Marko

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