formação política

Antídoto contra o antipetismo: resgatar a luta de classes no Brasil

Momento é fundamental para impedir um retrocesso maior que o período que antecedeu a Segunda Grande Guerra

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Lula SP
Lançamento oficial da campanha de Lula 2026 | Crédito: Ricardo Stuckert

Pelo menos metade da sociedade brasileira foi acometida de uma grave doença que ataca a alma e busca dividir a classe trabalhadora. Essa enfermidade sustenta uma posição política que tem sua origem nos ataques históricos da burguesia e do imperialismo — forças que se apoiam no aprofundamento da exploração do trabalho, na privatização de setores estratégicos, na violência contra o povo e quem organiza a resistência de classe e na intensa difusão da mentira como arma de guerra. Esse cenário se reflete nitidamente a 12 dias da eleição de 4 de outubro.

Em março de 1964, uma década após o suicídio de Getúlio Vargas, as senhoras e os senhores da Casa Grande realizaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Era preciso “salvar o Brasil dos comunistas” que estavam no poder e impedir Cuba de invadir o país. A marcha fascista antecedeu o golpe de 1º de abril. Os fascistas repetiam aos quatro ventos — em seus jornalões, dentro das igrejas e nos quartéis — que o comunismo tomaria o país por meio das reformas de base do governo de João Goulart. Os EUA comandaram a ação que impôs 21 anos de escuridão, terror, corrupção e morte.

O discurso anticomunista sempre foi puxado pelos porta-estandartes dos poderosos. Dizia-se que os comunistas comiam crianças, roubavam casas, terras e tudo o que as pessoas possuíam, além de destruírem a família. Hollywood propagava intensamente essa mensagem contra o “inferno vermelho”. Propagou-se por décadas que os EUA haviam derrotado o nazismo, uma mentira difundida para esconder que a Casa Branca tudo fez para que Hitler derrotasse a URSS. Eles perderam na história, mas ganharam a narrativa por meio da mentira na batalha de ideias.

Mesmo não sendo um partido revolucionário, o PT mobilizou amplas massas trabalhadoras, reuniu diversas correntes do campo da esquerda (inclusive organizações e militantes comunistas) e sintetizou a resistência contra a burguesia e o imperialismo no Brasil. Com a chegada de Lula à Presidência em 2002, inúmeras ações sociais foram desenvolvidas — algumas iniciadas antes, no governo FHC, como a Comunidade Solidária, que antecedeu o Fome Zero. Entretanto, o partido não realizou as reformas estruturais exigidas pelo povo brasileiro: agrária, urbana, sanitária, universitária, financeira e educacional.

Mesmo assim, a burguesia e o imperialismo não aceitaram que as políticas sociais oferecessem condições para que as massas passassem a ter acesso a um novo padrão de vida, usufruíssem de bens de consumo e que o Brasil saísse do mapa da fome. Para as oligarquias agrárias e detentoras de grandes capitais, serviçais do imperialismo, isso foi inaceitável.

Batalha das ideias

Já em 2004, a grande imprensa gestou o “mensalão”, acusando o PT de corrupto por manter uma relação de fisiologismo que sempre existiu entre os poderes da República. Mais tarde, criaram a Lava Jato, aplicando a guerra de novo tipo disseminada pelo Pentágono, que resultou na prisão de Lula. Antes, porém, uma prática histórica de remanejamento do orçamento público foi carimbada como “pedalada”, servindo de justificativa para cassar Dilma Rousseff.

Tudo isso foi impulsionado por uma intensa campanha midiática, agora aprofundada pelo poder das plataformas digitais.

O anticomunismo se transformou em antipetismo, uma caracterização desenvolvida de maneira intensa e permanente pelos meios de comunicação tradicionais e tecnológicos atuais. A guerra cultural, com a imposição de valores sustentados no individualismo — como o empreendedorismo, o consumismo, a meritocracia e o Estado mínimo —, cresceu entre os setores proletários, permitindo a retomada de posições contrárias às lutas pela justiça social e o socialismo.

Durante as duas décadas de governos do PT, não se desenvolveu a formação política nem se priorizou o debate de ideias, especialmente o enfrentamento ideológico contra a burguesia e suas práticas históricas. Absorveram-se concepções pós-modernas que abandonaram a centralidade da luta de classes, colocando indivíduos contra indivíduos por questões de gênero, raça ou orientação sexual, enquanto a burguesia controlava cada vez mais as riquezas e o Estado, avançando na batalha de ideias.

Sem dar trégua ao fascismo, torna-se uma obrigação derrotá-los na eleição, reelegendo Lula presidente e candidatos do campo popular. O momento é fundamental para impedir um retrocesso maior que o período que antecedeu a Segunda Grande Guerra.

O antídoto contra o antipetismo é a luta de classes. É resgatar as históricas lutas do proletariado e construir “trincheiras de ideias” inquebrantáveis, capazes de enfrentar todos os tipos de ataques sem se vergar. É seguir o exemplo de inúmeros povos que ousam ser livres para derrotar os tigres de papel, os exércitos de mercenários e os inimigos da humanidade na construção da sociedade socialista.

*Pedro César Batista é jornalista, bacharel em Direito com especialização em Antropologia. Diretor e apresentador há 11 anos do programa letras e livros na TV Comunitária de Brasília. Autor de 17 livros, entre os quais “João Batista, mártir da luta pela reforma agrária” (Expressão Popular, 2009) e “Marcha interrompida” (Thesaurus, 2006). Vive em Brasília.

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato – DF.


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Editado por: Clivia Mesquita

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