visão do eleitor

Desconfiança no STF e nas instituições reflete polarização eleitoral, analisa cientista político

Paulo Roberto de Souza comenta dados de pesquisa sobre o Supremo, o desgaste do Congresso e o cenário presidencial

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Sessão plenária extraordinária do STF
Sessão plenária extraordinária do STF | Crédito: Alejandro Zambrana/STF

A exposição das relações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o banqueiro Daniel Vorcaro e a maior fraude financeira do país envolvendo o Banco Master foi objeto de uma pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta terça-feira (22). Para os participantes do levantamento, a ministra Cármen Lúcia, única mulher da Corte, é avaliada de forma mais positiva, com 47% de aprovação, enquanto Dias Toffoli tem a pior imagem pública, com 79% de rejeição. Kassio Nunes Marques aparece próximo de Toffoli com apenas 12% de avaliações positivas e 63% negativas.

Alexandre de Moraes é avaliado de forma positiva por 36% das pessoas, mas a rejeição a ele é alta: 59%. Já André Mendonça é o segundo melhor avaliado, com 47% de aprovação, mas o percentual de avaliações negativas é quase igual: 48%.

O cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que a pesquisa mostra a desconfiança do brasileiro nas instituições e reproduz a polarização que se observa na política atual, às vésperas das eleições. “Chama atenção como os entrevistados avaliam o Congresso, com 8% de avaliações positivas”, destaca ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Souza observa que essa visão do eleitor contrasta com a expectativa de um alto índice de reeleição para as vagas no Congresso neste ano. Para o analista, isso acontece porque existe uma dificuldade de estabelecer a correlação entre a performance individual de cada parlamentar e as casas legislativas enquanto blocos. “As pessoas olham para o todo e veem de forma negativa, mas não veem de forma negativa o seu deputado, uma vez que ele tende à reeleição cada vez mais, principalmente por causa das emendas parlamentares”, afirma.

Outro aspecto avaliado pelo levantamento é a avaliação sobre as forças de segurança: a maioria da população confia na Polícia Federal e Civil e apresenta um pouco mais de objeção com relação à Polícia Militar.

Paulo Roberto de Souza também destaca o fato de que a pesquisa Atlas é realizada pela internet, e isso tende a abarcar mais participantes politicamente engajados. “Por isso é que os indecisos são mínimos. E a gente precisa saber onde estão esses indecisos, qual é esse percentual?”, questiona.

Segundo o cientista político, a proximidade entre os candidatos principais à presidência da República, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), deverá se manter nessa reta final e em um eventual segundo turno. Por essa razão, Souza menciona artigo de Mauricio Moura, fundador do Instituto Ideia, segundo o qual a eleição pode terminar em primeiro turno. “O cenário de segundo turno é cada vez mais reproduzível e perceptível nas intenções de voto”, avalia.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira, das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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