Eleições 2026

Disputas estaduais acirradas na BA, CE e PE se polarizam entre bolsonarismo e Lula

Emanuel Freitas avalia que cenário de Pernambuco é mais delicado pois exigirá decisão de Lula em eventual segundo turno

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Presidente Lula em entrevista para o Jornal da Record.
Presidente Lula em entrevista para o Jornal da Record. | Crédito: Reprodução

A disputa pelo governo estadual segue acirrada na Bahia, Ceará e em Pernambuco, com potencial impacto para a corrida presidencial. Os estados são colégios eleitorais onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem larga vantagem. Na semana passada, inclusive, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) esteve na região com estratégia para tentar angariar votos.

De acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto, o cenário nos estados é o seguinte: em Pernambuco, João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) seguem tecnicamente empatados com 47,4% e 48,6%, respectivamente, segundo a Atlas/Intel; no Ceará, Ciro Gomes (PSDB) tem 45% e o atual governador Elmano de Freitas (PT) tem 34%, segundo a Quaest; na Bahia, o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) tem 43,6% e ACM Neto (União Brasil) aparece em vantagem com 51,3%, de acordo com a Futura Inteligência.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o professor Emanuel Freitas, da Universidade Estadual do Ceará, aponta que a recente divulgação de um vídeo da governadora Raquel Lyra sugerindo esterilizar uma paciente sem consentimento, em maio do ano passado, pode chacoalhar a disputa nessa reta final. “Esse fato, às vésperas da votação do primeiro turno, deve prejudicar e deve ser explorado, com toda certeza, pelo João Campos, já que se trata de uma mulher sugerindo um tratamento um tanto quanto invasivo. E a gente pode dizer que é um procedimento eugenista, já que ela está sugerindo que a médica faça a laqueadura, mesmo que a paciente não queira”, afirma.

Freitas avalia que a expectativa era de que Campos iria, a partir da capital pernambucana, se desenhar como um “fenômeno imbatível”, o que não aconteceu. Lyra tem o apoio de bolsonaristas em seu estado e, além disso, conta com o amparo do governismo federal. O professor compara a situação da atual governadora com o cenário de Ciro Gomes no Ceará. “Ela [Lyra] está com os bolsonaristas sem dizer que está, mas, ao contrário do Ciro, ela acena também ao governo federal, ao presidente Lula. E isso fez com que o João não pudesse radicalizar a sua pertença, de fato, ao campo governista que está com o presidente Lula”, analisa.

O analista pondera que, em cenários como o da Bahia, além da força do carlismo, especialmente na capital baiana, ACM Neto coopta o antipetismo. E, para ele, situação semelhante tem se mostrado no Ceará. “Existe o forte ethos antilulista em ACM Neto. Do mesmo jeito aqui no Ceará com Ciro Gomes, já que tem ‘n’ declarações de Ciro anti-Lula”, reforça. 

Emanuel Freitas destaca que, ao analisar o perfil do eleitor de Ciro, o desenho se mostra o de um típico bolsonarista: homem, jovem, evangélico, pertencente às classes A e B, morador de Fortaleza e mais escolarizado. “Parte considerável dessa competitividade do Ciro vem do apoio que ele recebeu desde o ano passado dessa direita que governa algumas cidades importantes, como Juazeiro do Norte, como Sobral, mais recentemente”, aponta.

Freitas considera que, em um eventual segundo turno presidencial, será mais delicado para Lula do que para Flávio. “Há dependência dos candidatos estaduais ao presidente, mas há também dependência dos candidatos a presidente dos palanques locais”, avalia. “O que eu acho mais complicado em relação aos candidatos que estão do lado do presidente e apostando irrestritamente na sua identificação com ele é que o eleitor do Lula, as pesquisas já têm dito isso desde a eleição de 2022, é o mais suscetível à abstenção eleitoral”, argumenta.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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