meio ambiente

Por causa das queimadas, Manaus registra poluição até dez vezes maior que a recomendada pela OMS

Fumaça tem sido constante na capital do Amazonas, com dispersão dificultada pelo pouco vento provocado pelo El Niño

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Região de floresta próxima a Manaus com foco de queimada ocorrida na terça (22).
Região de floresta próxima a Manaus com foco de queimada ocorrida na terça (22). | Crédito: Newton Monteiro/Ipam

Com as queimadas crescendo em setembro, Manaus registrou uma média de poluição do ar duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), chegando nesta quarta-feira (23) a registrar picos dez vezes maior que o aceitável à saúde humana, segundo pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Em setembro, sensores da RedeAr apontaram uma média acima de 30 µg/m³ (microgramas por metro cúbico). Nesta quarta, houve picos acima de 160 µg/m³. A OMS estipula um limite anual de 5 µg/m³ (microgramas por metro cúbico) e de 15 µg/m³ de média diária. Os maiores focos de poluição estão próximos ao Encontro das Águas, local onde os leitos dos rios Negro e Solimões se unem para formar o rio Amazonas, e ao longo da rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RN).

“A região metropolitana de Manaus registra, nos últimos dias, uma alta significativa no número de focos de calor. O avanço do fogo se estende por pontos estratégicos da região, com forte concentração ao longo do Rio Amazonas, principalmente nas proximidades do Encontro das Águas, e ao longo do eixo da rodovia BR-319. A consequência direta desse cenário é a formação de volumosas colunas de fumaça”, explica Newton Monteiro, analista de pesquisa do Ipam.

A demora para que o material se espalhe tem aumentado por causa dos efeitos do El Niño, que enfraquece os ventos da região. “Em condições normais, os ventos predominantes na região tendem a dispersar a fumaça das queimadas para oeste, em direção ao Peru. No entanto, o atual episódio de El Niño, em curso e em fortalecimento desde meados de 2026, tem alterado esse padrão de circulação atmosférica, favorecendo o transporte da fuligem diretamente para Manaus e para os municípios vizinhos, o que resulta na degradação da qualidade do ar em toda a zona metropolitana”, completa Newton.

Em 2025, o Amazonas registrou 67 dias acima do limite de 15 µg/m³ e uma média anual de 10,67 µg/m³.

As queimadas produzem uma série de poluentes tóxicos, como o monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, carbono negro, carbono marrom e precursores de ozônio, mas a principal ameaça à saúde pública é o material particulado menor que 2,5 micrômetros de diâmetro, conhecido como PM2,5, que, quando inalado, penetra no pulmão e na corrente sanguínea, permanecendo no corpo por meses após a exposição.

Entre os sintomas dessa exposição estão irritação nos olhos, nariz, garganta e pulmões; tosse; inflamação pulmonar, bronquite e insuficiência cardíaca. Segundo a OMS, a exposição ao PM2,5 está relacionada a 4,2 milhões de mortes por ano no mundo.

Editado por: Luís Indriunas

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