Os registros de racismo e injúria racial cresceram em Minas Gerais nos sete primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram aumento nas ocorrências consumadas dos dois crimes tanto no estado quanto em Belo Horizonte.
O cenário coloca em pauta as propostas para o enfrentamento do racismo apresentadas pelos quatro candidatos mais bem pontuados na pesquisa mais recente para o governo de Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias (PT), Alexandre Kalil (PDT) e Mateus Simões (PSD).
Segundo levantamento divulgado pelo instituto Real Time Big Data nesta segunda-feira (21), Cleitinho aparece em primeiro lugar na disputa de primeiro turno, com 35% das intenções de voto. Patrus Ananias tem 19%, enquanto Alexandre Kalil e Mateus Simões aparecem com 10% cada. No segundo turno, Cleitinho e Patrus estão empatados.
A escolha dos quatro candidatos para a comparação considera, portanto, os nomes que aparecem nas primeiras posições da pesquisa.
Racismo cresce 40% em Minas
De janeiro a julho de 2026, Minas Gerais contabilizou 194 casos de racismo consumado, contra 139 registros no mesmo período de 2025. O aumento é de aproximadamente 40%. Em todo o ano passado, o estado encerrou o período de 12 meses com 276 ocorrências.
Em Belo Horizonte, foram registrados 63 casos de racismo consumado entre janeiro e julho deste ano, frente a 39 ocorrências no mesmo intervalo de 2025, crescimento de aproximadamente 62%. Ao longo de todo o ano passado, foram contabilizados 83 registros na cidade.
Os casos de injúria racial consumada também apresentaram avanço. Em Minas Gerais, foram 1.296 ocorrências nos sete primeiros meses de 2026, contra 1.198 no mesmo período de 2025, uma alta de aproximadamente 8%. Em todo o ano passado, o estado registrou 2.117 casos.
Na capital mineira, os registros passaram de 211 para 254 entre os dois períodos analisados, o que representa um crescimento de cerca de 20%. Em 2025, Belo Horizonte fechou o ano com 385 ocorrências de injúria racial consumada.
Patrus propõe plano estadual de igualdade racial
O plano de governo de Patrus Ananias adota os recortes de raça e gênero como “duas lentes fundamentais” e transversais no planejamento público.
Entre as propostas está a criação do Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial, com metas voltadas ao combate ao racismo e à valorização da história, da memória e da cultura afro-brasileira e indígena.
Na segurança pública, o programa prevê o compromisso de implementar uma política estadual voltada ao enfrentamento do genocídio da juventude negra e de outras formas de violência.
O plano também aborda as desigualdades raciais no mercado de trabalho e na saúde. Entre as propostas estão ações para enfrentar disparidades salariais e de acesso ao trabalho sofridas por grupos raciais, além de financiamento diferenciado no SUS para territórios vulneráveis da população negra e comunidades quilombolas.
A dimensão religiosa também aparece entre os marcadores sociais da diversidade no capítulo dedicado à promoção dos direitos humanos, cidadania e igualdade.
Kalil prevê monitoramento das desigualdades raciais
O plano de governo de Alexandre Kalil aborda a questão racial em diferentes áreas, como desenvolvimento social, saúde, educação e cultura. Em uma seção específica sobre igualdade racial, o documento prevê o reconhecimento e o enfrentamento das desigualdades raciais relacionadas à renda, emprego, saúde e segurança.
Uma das propostas é incorporar dados de raça e cor na avaliação das políticas públicas, com o objetivo de monitorar seus impactos sobre a população negra.
Na área da saúde, o plano estabelece que as disparidades raciais sejam consideradas no planejamento estadual, com atenção para questões como saúde materna, doenças crônicas e mortalidade evitável.
A dimensão racial também aparece nas propostas para educação e trabalho. O plano inclui medidas relacionadas à permanência escolar e ao combate ao preconceito e ao bullying, além de ações contra barreiras enfrentadas por pessoas negras no empreendedorismo, na ciência e no mercado de trabalho do estado.
Na cultura, o programa prevê a valorização de manifestações afro-mineiras e quilombolas, além de festas populares e manifestações de fé comunitárias, como congados, reinados e folias.
Cleitinho propõe programa de letramento racial
O plano de governo de Cleitinho apresenta, no eixo social, a proposta de implementação do programa “Letramento Racial e Enfrentamento às Discriminações”. A iniciativa é voltada à promoção do respeito à diversidade e está associada à criação do Observatório Mineiro da Igualdade.
O documento também faz referência à dimensão religiosa, mas a partir da proposta de desenvolvimento e apoio a roteiros de turismo religioso integrados ao patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais.
O plano não apresenta, nas informações analisadas, uma seção específica dedicada ao debate sobre liberdade religiosa ou intolerância religiosa.
Mateus Simões não apresenta menções específicas
O plano de governo de Mateus Simões concentra suas diretrizes em temas como reequilíbrio fiscal, desenvolvimento social e econômico, infraestrutura e segurança.
Nas informações analisadas, não foram encontradas no documento seções específicas ou menções diretas aos termos raça, racismo, população negra ou liberdade e intolerância religiosa.

