Os países que integram o Escudo das Américas, iniciativa criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciaram uma ação conjunta para impor sanções a 24 organizações classificadas pelo grupo como narcoterroristas. Entre os grupos estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Na legislação brasileira, o terrorismo é associado a atos violentos motivados, entre outros fatores, por xenofobia e discriminação, preconceito de raça, cor, etnia e religião.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Jorge Rodrigues, pesquisador do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp), avalia que é preciso entender, primeiramente, a quem estarão direcionadas eventuais sanções: se a indivíduos ou se à nação.
Segundo ele, as sanções econômicas são um instrumento antigo da política internacional e não uma criação de Trump. “O embargo criminoso contra Cuba, denunciado pelo presidente Lula na Assembleia da ONU, é um exemplo disso. Você sujeita a população de um país a vulnerabilidades extremas por disputas políticas e geopolíticas e, segundo, que elas têm uma miríade de consequências que não estão diretamente relacionadas à economia propriamente dita”, pondera.
Rodrigues não acredita em uma invasão do Brasil por um país vizinho, contudo observa a articulação política estadunidense de ingerência em meio ao processo eleitoral. “Tem um movimento de isolar o Brasil na região, que certamente se enquadra nesse processo de tornar instável o governo do presidente Lula”, afirma.
Com relação ao recrudescimento das ameaças de interferência de Trump no Brasil, Jorge Rodrigues destaca que, historicamente, essa sempre foi a tônica das relações exteriores dos EUA. “A América do Sul sempre foi vista como essa zona de influência. O que acontece com a Doutrina Monroe é uma explicitação de uma concepção geográfica e geopolítica que sempre informou a política externa dos Estados Unidos com os países da região”, explica. “Durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, a NSA, que é uma das agências de espionagem dos Estados Unidos, hackeou o telefone da presidenta, e o presidente à época dos Estados Unidos era Barack Obama, do Partido Democrata. Estou pontuando isso porque eu acho importante essa historicização para a gente entender que esses desafios deveriam estar na pauta do dia”, pontua.
Para o pesquisador, diante da postura cada vez mais abertamente intervencionista dos EUA, cabe ao Brasil aprofundar parcerias com as quais o Brasil já tem relação. “Esse é um momento em que a gente busca fortalecer nossa posição primeiro domesticamente, superando vulnerabilidades que possam servir de entrada para o intervencionismo estadunidense. Não são movimentos que se fazem do dia para a noite. A gente vai enfrentar, sem dúvida alguma, na vitória do presidente Lula, anos de instabilidade do ponto de vista das relações regionais e das relações hemisféricas de modo mais amplo, porque essa é a fase em que o mundo está vivendo hoje”, afirma.
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

