O senador Bernie Sanders e 30 deputados democratas dos Estados Unidos enviaram ao secretário de Estado do país, Marco Rubio, uma carta em que acusam o governo Donald Trump de conduzir uma campanha de pressão contra o Brasil às vésperas do primeiro turno, marcado para o próximo dia 4 de outubro. No documento, divulgado nesta quinta-feira (24), os parlamentares afirmam que as ações mais recentes da Casa Branca “apontam para um aparente esforço para interferir nas eleições gerais do Brasil em outubro e, potencialmente, miná-las”. Eles cobram que Washington se comprometa a reconhecer o resultado certificado das urnas.
O principal episódio citado é a reunião no Salão Oval entre Trump e o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), em maio. Segundo a carta, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aproveitou a ocasião para pedir que os EUA classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, o que foi feito pouco tempo depois. Os congressistas afirmam que as autoridades brasileiras temem o uso da medida como justificativa para sanções e outras ações extraterritoriais. O grupo também lembra que os ataques militares de Trump na América Latina foram justificados particularmente por supostas ameaças desse tipo de organização.
“Escrevemos para expressar nossa grave preocupação em relação ao esforço coordenado do governo para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial, em outubro de 2026”, diz um trecho do documento.
A carta também aponta que, “em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão atuando como um agente de interferência e desestabilização — usando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que correm o risco de enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral do Brasil e causar ainda mais danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA”.
Esse padrão de conduta, segundo o documento, estaria arriscando não somente a integridade dos processos eleitorais em países individuais, “mas corroendo progressivamente a confiança dos eleitores nos processos e instituições democráticas em toda a região”.
Os parlamentares também apontam que a “campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil” se dá pelo tarifaço promovido por Trump e pelas sanções estadunidenses contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As ações da Casa Branca são classificadas como “violação extraordinária” da soberania brasileira.
A ingerência da gestão Trump no pleito brasileiro, especulada há meses, vem ganhando corpo a ponto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ter que produzir um relatório reservado, divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, a respeito das ameaças ao processo eleitoral, elevando a possibilidade de influência estrangeira a um “nível de criticidade”. Enquanto isso, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o tema.


