A candidata do PSB ao Senado por SP e ex-ministra do governo Lula, Simone Tebet, defende a aprovação do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e avalia que a exploração de petróleo em novas áreas pode gerar progresso, mas deve vir com responsabilidade e respeito à sustentabilidade.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Tebet afirma que foi “a segunda ministra do presidente Lula” a trazer o tema da redução de jornada de trabalho para o debate público e lamenta que o projeto ainda não tenha sido aprovado. “Já poderia ser uma realidade se a oposição não tivesse sentado em cima. É um assunto da mais alta relevância”, critica.
Ao defender o fim da escala 6×1, a candidata cita o estudo do Ipea que rebate o argumento bolsonarista de que o país quebraria com a redução de horas trabalhadas por semana. “É o contrário. Não é só justiça social, não é só um direito. Eu ouvi de uma trabalhadora: ‘A minha vida não cabe apenas num domingo’. É a mais pura verdade”, avalia.
Tebet conta que, certa vez, ao conversar com uma microempreendedora do ramo de café do Mercadão Municipal de São Paulo, ouviu outros pontos positivos da redução de jornada. “Não tem atestado médico, tem mais produtividade e tenho menos rotatividade”, menciona. Sobre eventuais impactos para pequenos negócios, a candidata defende medidas “como desoneração da folha de pagamento para esses setores”.
Com relação ao debate da PEC da Segurança Pública, Simone Tebet afirma que o projeto não passou por pressão dos governadores dos estados, a maioria de direita, e defende o combate ao crime organizado sob uma ótica transnacional e que, portanto, necessitaria de uma integração das polícias. A candidata frisa que o crime organizado opera no sistema financeiro, lavando dinheiro com atividades lícitas. Ela cita como exemplo a infiltração de facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), no sistema de transportes de São Paulo, com envolvimento de políticos.
“A PEC da Segurança vai assegurar uma integração entre as polícias: a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar, a Polícia Civil Estadual, ao lado do Ministério Público e da Receita Federal, para sufocar o andar de cima, cortar quem coloca dinheiro e coloca arma na mão do bandido, e colocar na cadeia os chefões do crime organizado. Isso só se faz com integração, inteligência e planejamento. E colocar as Forças Armadas nas fronteiras”, defende.
Simone Tebet avalia que a autorização do Ibama para perfuração de novos poços de petróleo na margem equatorial é necessária para avaliar a viabilidade econômica e a viabilidade técnica, considerando os eventuais impactos ambientais. A candidata afirma que confia nas instituições, órgãos de controle e no trabalho da Petrobras, e defende que aumentar a produção de petróleo vai trazer desenvolvimento ao país e recursos para aplicar em políticas sociais para o povo brasileiro.
“Eu acho que não podemos ter medo do progresso se ele vier com responsabilidade. Não é uma coisa ou outra. O progresso é que garante o salário para o trabalhador, o desenvolvimento, crescimento do PIB, que vai fazer com que a gente possa diminuir essa vergonhosa chaga da desigualdade social”, argumenta. “Mas tem que vir com a responsabilidade da pauta da sustentabilidade”, destaca.
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