“A China está acompanhando a transição energética de Cuba e apoiando seus esforços para melhorar as condições de vida do povo com ações concretas”, afirmou o embaixador chinês na ilha, Hua Xin, ao anunciar a chegada de uma nova doação do país asiático.
Trata-se de 5 mil sistemas solares fotovoltaicos doados pelo governo chinês e transportados em 200 contêineres. Os equipamentos serão destinados a um projeto para levar eletricidade a residências e centros públicos localizados em áreas rurais e afastadas de Cuba.
Esta é a terceira doação de 5 mil sistemas fotovoltaicos enviada pela China a Cuba nos últimos meses. A primeira chegou em novembro de 2025 e a segunda, em agosto deste ano. Ambas foram destinadas principalmente a instituições que prestam serviços essenciais, entre elas centros de saúde, creches, casas para crianças sem amparo familiar e agências bancárias.
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, agradeceu “ao Partido, ao Governo e ao povo da China por sua solidariedade e sua sincera ajuda material, em um momento em que o governo dos EUA intensifica seu bloqueio contra Cuba e mantém um cerco energético que causa danos consideráveis à população”.
A chegada da doação coincide com a visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. O mandatário chegou a Washington na quarta-feira, 23 de setembro, e foi recebido pessoalmente pelo presidente Donald Trump na Base Aérea de Andrews, em Maryland. Foi a primeira vez desde 1962 que um presidente dos Estados Unidos recebeu pessoalmente um chefe de Estado estrangeiro em um aeroporto.
Cooperação energética
As doações de sistemas solares autônomos fazem parte de uma cooperação mais ampla entre China e Cuba na área de energia. Nesse contexto, os dois países acordaram um programa para a instalação de 92 parques solares fotovoltaicos em todo o território nacional, com a meta de alcançar cerca de 2 mil megawatts de capacidade instalada. Empresas estatais e de tecnologia chinesas participam do fornecimento de painéis, tecnologia de inversores e suporte técnico para o desenvolvimento desse programa. Estima-se que 75 dessas usinas já estejam construídas.
A esse programa somam-se os sistemas autônomos destinados a residências isoladas e centros que prestam serviços públicos. Em março deste ano, após as agressões dos Estados Unidos, o Ministério de Energia e Minas informou sobre um plano para instalar sistemas solares em centros considerados vitais nos 168 municípios do país e em residências isoladas, incluindo aquelas que nunca haviam tido acesso à eletricidade.
Aceleração da transição energética
O processo de transição para fontes renováveis faz parte de um plano de desenvolvimento energético que Cuba vem implementando há vários anos. No entanto, as dificuldades para garantir o fornecimento de combustíveis levaram o país a acelerar a incorporação de fontes alternativas.
No fim de janeiro, o governo dos Estados Unidos ampliou o bloqueio sobre Cuba por meio de ameaças a qualquer país que venda ou forneça petróleo à ilha, de forma direta ou indireta. A medida impôs uma asfixia energética à ilha. Cuba mantém uma elevada dependência de combustíveis importados: cerca de 65% do combustível consumido na ilha é importado.
A redução do fornecimento de petróleo, somada às avarias nas usinas termelétricas e às dificuldades para adquirir combustível, provocou cortes prolongados de eletricidade, que dificultam o dia a dia da população e a produção do país, além de sucessivos colapsos do Sistema Elétrico Nacional.
Durante o programa de rádio Criterio Compartido, transmitido na quarta-feira (23), o presidente Miguel Díaz-Canel informou que Cuba conta atualmente com 1.418 megawatts (MW) de capacidade fotovoltaica instalada, distribuídos em 144 parques, e afirmou que o país prevê superar os 1.500 MW até o fim do ano.
Segundo Díaz-Canel, as fontes renováveis representam atualmente 21,4% da geração de eletricidade do país. O presidente também afirmou que essas instalações já estão presentes em praticamente metade dos hospitais cubanos, em 89% dos lares de idosos e casas de avós e em 16% das casas estatais para crianças sem amparo familiar.

