A pesquisa Quaest com foco nas disputas estaduais, divulgada nesta quarta-feira (23), mostra a consolidação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os estados do Nordeste ao mesmo tempo em que expõe uma continuidade dos cenários vistos em 2018 e 2022.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Mateus de Albuquerque, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que, em algumas regiões do Nordeste, o eleitor é mais lulista do que de esquerda. “O PT é o partido mais orgânico no Brasil. É raro um lugar em que Lula não tenha 25% do eleitorado, e isso é bastante. Vale frisar que existe uma continuidade dos cenários de 2018 e 2022, quando já existiam regiões calcificadas no petismo e regiões calcificadas no antipetismo, e o que decidiu a eleição foi o Sudeste”, avalia.
Albuquerque destaca que a chave de tudo não é simplesmente ganhar ou perder, mas a distância entre a vitória e a derrota. “O Brasil não tem um sistema distrital. O voto do eleitor de Lula em Blumenau, que é uma cidade onde certamente Flávio Bolsonaro vai vencer, vale o mesmo que um voto de um eleitor em Teresina. Conta a mesma coisa. Às vezes é mais relevante você perder de pouco em um estado populoso do que você ganhar de lavada em um estado pouco populoso”, resume.
Nesse sentido, o cientista político avalia que as tendências apontadas na pesquisa indicam um cenário positivo para Lula. “O único cenário que parece preocupante é o do Rio de Janeiro, que me parece que está se desenhando em uma arena central de disputa. A ideia é que Lula consiga mais votos no Rio, porque me parece que será decisivo”, afirma.
Mateus de Albuquerque considera que, nessa fase de reta final da campanha, o presidente não deveria se ocupar de fortalecer palanques estaduais, como, por exemplo, focando na eleição de João Campos ao governo de Pernambuco, porque é um estado onde a disputa presidencial já está ganha. Lula, segundo o analista, deveria se dedicar a angariar votos em colégios eleitorais mais desafiadores, mas que poderão ser decisivos. “É importante que Lula tenha uma movimentação maior no Sudeste. Minas Gerais, por exemplo, que é o segundo maior colégio eleitoral e é onde existe a possibilidade de seu aliado vencer o governo do estado”, aponta.
Já na disputa ao governo paulista, a pesquisa indica uma possibilidade de o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) conseguir se reeleger já no primeiro turno. Isso abriria um novo cenário para Lula, que, se por um lado ficaria sem palanque no segundo turno, também poderia conseguir uma vantagem sobre Flávio. “Alguns eleitores de Tarcísio poderiam não comparecer a um segundo turno e, nesse sentido, Flávio perderia votos”, pondera.
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

