No próximo domingo (27), o Largo da Tieta, no Pelourinho, recebe cinco orquestras na iniciativa “LARGO — Todo mundo cabe”, que integra o Festival da Primavera. O evento propõe uma experiência coletiva que coloca a música instrumental e de salão como ponto de contato entre diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas de Salvador. Com entrada gratuita e início às 16h, o encontro reúne apresentações da Orquestra de Câmara de Salvador (OCSAL), Orquestra do Maestro Zeca Freitas, Orquestra Sergio Benutti, Orquestra Paulo Primo e Orquestra Fred Dantas.
A proposta parte da valorização da convivência no Centro Histórico, resgatando a vocação dos largos coloniais como espaços de encontro comunitário. Para o maestro Fred Dantas, a ação remonta diretamente aos primeiros momentos da requalificação urbana da região e à consolidação desse circuito cultural.
“Quando o Pelourinho foi requalificado, criando os largos onde eram os quintais dos casarões, foram as Orquestras Fred Dantas e Reginaldo Xangô que fizeram inicialmente essa formação de público. Foi um sucesso total. As pessoas iam com roupas bonitas e entre os jovens se esclareceu como uma orquestra pode tocar muitos estilos. No meu caso, nós criamos o Axé orquestrado, que passou a ser admirado nacionalmente”, comenta.
Além do resgate simbólico, Dantas ressalta a dimensão socioeconômica do encontro para a sustentabilidade da música orquestrada na Bahia: “a Orquestra Fred Dantas participar desse evento, junto com Ângelo Rafael, Paulo Primo, Sergio Benutti e Zeca Freitas, é simplesmente vital para nossa continuidade enquanto formadora de cultura e de oportunidade de renda para muitos músicos. E para a Bahia significa manter a tradição das orquestras populares, acrescentando a esta Primavera, recebida com este grande festival, a diversidade de uma maneira de fazer música que vem se renovando ao longo de muitas décadas”.
Dinâmica das apresentações
A programação foi articulada de forma colaborativa pelos maestros para evitar a sobreposição de repertórios e construir uma narrativa sonora contínua ao longo de cinco horas ininterruptas. A apresentação tem início às 16 horas, com a Orquestra de Câmara de Salvador (OCSAL), regida por Angelo Rafael e com participação de Cláudia Cunha, trazendo a estética camerística e a canção latino-americana por meio de obras de Guerra-Peixe, Tom Jobim e Gonzaguinha. Em seguida, às 17h15, a Orquestra do Maestro Zeca Freitas explora a dinâmica dos bailes populares em um repertório que transita por samba, salsa, baladas e standards de jazz.
Às 18h30, a Orquestra Sergio Benutti, formada por 16 músicos e com os cantores Neto Moura e Daisy Carvalho, revisita o clima dos bailes de salão clássicos ao som de foxtrotes, boleros e versões orquestradas da música baiana. A noite segue às 19h45 com a Orquestra Paulo Primo, que homenageia ícones da MPB e do cenário internacional conectando Dorival Caymmi, Ary Barroso e Guilherme Arantes ao ritmo dançante de Tim Maia. O encerramento ocorre às 21 horas sob o comando da Orquestra Fred Dantas, percorrendo da erudição de Vivaldi a clássicos pioneiramente orquestrados do axé music, como “Jeito Faceiro”, “Rosa” e “Rapunzel”.
Sobre a concepção do fechamento, Fred Dantas explica o diálogo com as demais atrações: “A melhor expectativa possível. Nós fizemos uma combinação em que não haverá repetição de músicas. Então a Orquestra Fred Dantas, por conta disso e também por ser a que fecha, ficou com músicas mais animadas que podem ser dançadas ao modo ‘música pra pular brasileira'”, conclui.

