Violência política

Jovem do PT denuncia ameaça com arma de fogo durante panfletagem na Baixada Fluminense

Episódio contra secretário do partido em Queimados motivou notícia-crime na 55ª DP

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Mateus Lima é secretário de Juventude do PT em Queimados, na Baixada Fluminense
Mateus Lima é secretário de Juventude do PT em Queimados, na Baixada Fluminense | Crédito: Reprodução/Redes sociais

O secretário de Juventude do PT do município de Queimados, na Baixada Fluminense, denunciou que sofreu uma ameaça com arma de fogo de um eleitor bolsonarista durante uma panfletagem. Mateus Lima, de 25 anos, recebeu empurrões e ameaças de morte em uma atividade de divulgação de candidatos petistas.

O caso ocorreu na tarde da última terça-feira (22), no calçadão perto da estação de trem, e foi registrado na 55ª DP de Queimados. “Não vamos sair das ruas. É importante não recuar na defesa da democracia”, disse o estudante ao Brasil de Fato.

Na ocasião, um homem se aproximou xingando o grupo que estava distribuindo materiais de campanha e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mesma pessoa voltou outras vezes gritando perto do Mateus. Os insultos eram direcionados a todas as pessoas que também estavam fazendo campanha política. Eram palavras como “você é um filho da puta” e “todos vocês deveriam ser presos”. 

Em um desses momentos, Mateus respondeu que Flávio Bolsonaro (PL) não prestava para governar o Brasil. Segundo registro da notícia-crime, o autor então partiu na direção do jovem, dando três tapas no peito da vítima. Em seguida, o homem mostrou uma arma de fogo, fez ameaças de morte e afirmou ser policial. 

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O agressor ainda retornou outras vezes, proferindo xingamentos e ameaças, depois foi embora. Na calçada há câmeras de segurança de diversas lojas, inclusive duas de monitoramento do trânsito, controladas pela prefeitura.

Violência política

O único vereador do PT da cidade, Professor Castelano, prestou apoio ao jovem. O episódio, no entanto, não aparece isolado no contexto político da Baixada Fluminense. “Em 2024, na minha eleição, um militante nosso sofreu ataque homofóbico quando estava panfletando. Em 2022, uma outra pessoa sacou arma na feira”, lembra.

A região vive sob o domínio armado das milícias. A imposição política também é um braço do controle territorial e da violência exercida por esses grupos. Este ano, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) alterou 72 locais de votação em áreas controladas pelo tráfico ou por milícias. 

“A gente vive num cenário em que historicamente se viveu a base da violência. Se a gente voltar lá atrás com os barões, com os grupos de extermínio, e agora com a milícia. É algo que afeta muita gente e deixa muita gente com medo. Muitas pessoas foram à sede do PT falando que gostariam de colocar material no portão, mas têm medo. Uma galera da nossa militância falando que também não pode colocar adesivo”, relata Castelano.

Campanha do PT em Queimados (RJ) sofreu ameaça de bolsonarista armado
Campanha do PT em Queimados (RJ) sofreu ameaça de bolsonarista armado | Crédito: Reprodução/Redes sociais

A Juventude do PT-RJ denunciou que a violência política é um método autoritário, com previsão no Código Penal como ameaça à democracia. Em nota, o grupo afirma que o episódio em Queimados não pode ser naturalizado, cabendo às autoridades a apuração e a responsabilização pela violência. 

“Vivemos um tempo em que o espírito golpista tenta retomar as ruas e o bolsonarismo recorre à violência política para impor seus ideais à sociedade. Quem não consegue vencer o debate de ideias tenta calar pela intimidação, pela ameaça e pela agressão física. Não se trata de um episódio isolado: é método e é projeto”, diz o texto.

Editado por: Vivian Virissimo

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