FUTURO DAS ESCOLAS

Número de professores jovens no ensino médio cai 42,6% no RS em dez anos

No país, a redução foi de 31,1%, segundo pesquisa do Instituto Semesp, que também aponta o envelhecimento docente

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Pesquisa aponta dificuldades crescentes para a renovação do quadro docente da rede de ensino
Pesquisa aponta dificuldades crescentes para a renovação do quadro docente da rede de ensino | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 10 anos, o número de professores com até 24 anos caiu 31,1% nas escolas de ensino médio do país. No Rio Grande do Sul, a redução foi ainda maior, chegando a 42,6%. Na outra ponta, o contingente de docentes com 60 anos ou mais cresceu 104,5% no país e 73,3% no estado no mesmo período. Os números fazem parte da segunda edição da pesquisa “Apagão dos Professores: o Desafio da Renovação dos Professores no Brasil”, produzida pelo Instituto Semesp com dados referentes ao período de 2015 a 2025.

Para o professor de Filosofia Luan Pinheiro de Barros, da rede pública de Xangri-Lá, no Litoral Norte do estado, a combinação de baixos salários, cargas horárias elevadas e desmotivação e adoecimento dos docentes afasta os jovens da carreira. “Acho que existe uma contradição: temos um trabalho com um impacto social tão grande, mas a valorização salarial é muito baixa em comparação com esse impacto”, comenta.

Divulgada na semana passada, durante o 28º Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro (FNESP), em São Paulo, a pesquisa apontou dificuldades crescentes para a renovação do quadro docente. Segundo o instituto, o envelhecimento dos professores, o aumento da proporção daqueles em idade próxima à aposentadoria e a contratação acentuada de temporários e terceirizados dificultam essa renovação.

Entre 2015 e 2025, a entidade constatou que o número de professores com até 24 anos no país encolheu de 17,3 mil para 11,9 mil. Já o número de docentes com 60 anos ou mais passou de 18,2 mil para 37,3 mil. O instituto estima que, em 2040, haverá um professor de até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais.

Há cinco anos trabalhando com alunos do ensino médio, Barros entende que a precarização do trabalho docente contribui para a baixa renovação do quadro de professores. Segundo ele, poucos estudantes demonstram interesse em seguir a carreira, diante da desvalorização da profissão e da percepção de que outras áreas oferecem maior retorno financeiro.

“Quem pensa em continuar estudando, principalmente considerando o perfil da escola pública, muitas vezes vê a formação a partir da sua utilidade. São estudantes que normalmente não têm tantas condições financeiras e que precisam que a continuidade dos estudos dê algum retorno financeiro”, explica o professor.

Temporários ganham espaço

Em 2015, havia cerca de 146 mil professores temporários na rede pública do país, o equivalente a 32,2% do quadro. Em 2025, o número havia crescido 40,4%, chegando a 205 mil profissionais, ou 43,4% do quadro.

Por outro lado, o número de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de cerca de 305 mil para 255 mil. Eles representavam 67,2% do quadro em 2015 e passaram a corresponder a 54,1% em 2025.

O instituto criou um indicador próprio para projetar a capacidade de renovação do quadro docente diante das aposentadorias, chamado Taxa de Renovação Docente. Ele relaciona o número de professores com até 24 anos ao de docentes com 60 anos ou mais. Assim, quanto menor a taxa, maior a dificuldade de reposição dos profissionais.

Em 2015, o indicador era de 0,95, o que correspondia praticamente a um professor jovem para cada docente com 60 anos ou mais. Em 2025, a taxa caiu para 0,32, passando a representar aproximadamente um professor com até 24 anos para cada três docentes com 60 anos ou mais.

Menor renovação por disciplina

O levantamento também mostra que as menores taxas de renovação entre as áreas de conhecimento foram registradas em Geografia (0,216), História (0,234), Língua Portuguesa (0,240), Sociologia (0,263), Filosofia (0,274) e Artes (0,278).

Áreas que apresentavam situação mais favorável em 2015 também registraram queda no indicador em 2025. É o caso de Química, que passou de 1,773 para 0,421; Física, de 1,530 para 0,403; e Biologia, de 1,450 para 0,372.

Barros também aponta uma desvalorização social da profissão. “Existem casos de professores que tratam a profissão como um ‘bico’: trabalham em outra coisa e também são professores. Há professores que são motoristas de aplicativo, que têm um negócio próprio, justamente devido à carreira precarizada”, afirma.

Para o docente, a falta de perspectivas na carreira também influencia a decisão dos jovens de dar continuidade à formação acadêmica em cursos de licenciatura.

No Rio Grande do Sul, o indicador era de 0,49 em 2015, o equivalente a cerca de um professor com até 24 anos para cada dois docentes com 60 anos ou mais. Em 2025, caiu para 0,16, aproximadamente um professor com até 24 anos para cada 6,1 docentes com 60 anos ou mais.

Editado por: Marcelo Ferreira

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