Depois de duas semanas de serviços suspensos, a paralisação dos Correios chegou ao fim. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu, nesta quinta-feira (24), que o movimento dos funcionários não é abusivo e determinou o retorno das atividades a partir desta sexta (25).
Além de votarem pela não abusividade da greve, os ministros decidiram que os dias parados não serão descontados do salário dos trabalhadores. No entanto, o período de paralisação deverá ser compensado posteriormente. Ficou determinado também que os funcionários terão reajuste de 4,09% no salário e em demais benefícios, como vale-refeição e bolsa-creche.
Já a manutenção do plano de saúde, principal ponto de discordância nas negociações, deixará de ser gerido pela estatal. Enquanto funcionários defendiam a permanência do atual modelo, no qual os Correios atuam como responsáveis pelo custeio do benefício, a empresa, que busca cortar gastos para conter a crise financeira, teve o pedido atendido pelo TST e agora deixará a administração do serviço. Segundo trabalhadores, a mudança poderá aumentar a parcela paga pelos próprios empregados.
Na decisão, a corte rejeitou o pedido dos Correios, que havia acionado a Justiça para que a greve fosse considerada abusiva. Se aprovada, a medida poderia gerar multa de R$ 100 mil às organizações sindicais. A maioria dos ministros, porém, entendeu que os argumentos apresentados pela empresa são insuficientes para configurar um possível abuso no movimento.
“A greve foi extremamente importante contra os ataques que a empresa está fazendo, os ataques que a gestão do Emmanoel Rondon está fazendo aos trabalhadores. A luta não terminou aqui, a luta continua contra essa reestruturação, pela saída desse que é um dos piores presidentes da empresa”, afirma Amanda Corcino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafo do Distrito Federal (Sintect-DF).
Nas últimas semanas, o Sintect-DF promoveu diversas mobilizações com trabalhadores para discutir possíveis acordos com a empresa. Além das negociações sobre o acordo coletivo, trabalhadores denunciaram falta de funcionários, fechamento de unidades, transferências forçadas e retirada de adicionais.
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