Mundo multipolar

Na ONU, Rússia exige retorno de Maduro à Venezuela e condena ataques do ocidente

Ministro russo Serguei Lavrov também manifestou apoio a Cuba, Palestina e Irã, contra EUA e Israel

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Lavrov
O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, discursa durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, em 26 de setembro de 2026 | Crédito: CHARLY TRIBALLEAU/AFP

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, descreveu neste sábado (26) o ataque realizado pelos Estados Unidos na Venezuela, em 3 de janeiro, e o sequestro do presidente Nicolás Maduro como uma das ações recentes que minam o direito internacional, a paz e a segurança mundiais, exigindo o retorno imediato de Maduro ao país.

O representante russo aproveitou a ocasião para reafirmar o apoio de Moscou às causas do fim do bloqueio econômico contra Cuba, da interrupção do genocídio perpetrado pelas forças israelenses na Palestina e da resolução da situação causada pelos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã.

O ministro liderou a delegação russa na sessão plenária da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, articulando uma posição crítica sobre a ordem internacional, o papel das organizações multilaterais e as ambições expansionistas militares ocidentais.

Em seu discurso, Lavrov denunciou o revisionismo histórico e criticou o governo alemão. Ele lembrou a ratificação de documentos do pós-Segunda Guerra Mundial pelas antigas potências do Eixo e acusou as potências europeias de minimizar as manifestações da ideologia neonazista no regime de Kiev e de esquecer o genocídio contra o povo soviético.

Ele ainda desafiou diretamente o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, após suas declarações sobre tornar a Alemanha novamente a principal potência militar da Europa. “Um novo processo de remilitarização em Berlim teria graves consequências históricas”, alertou Lavrov, ressaltando as perigosas implicações de tal medida.

Lavrov também condenou a proibição legal da língua russa na Ucrânia e denunciou o silêncio da União Europeia diante do que chamou de flagrante violação da liberdade de expressão, religião e liberdades fundamentais protegidas pela Carta da ONU. “Essa política de repressão linguística e cultural é inaceitável e deveria ser condenada pela comunidade internacional”, afirmou.

Ele alertou nesse sentido sobre a preocupante tendência do Ocidente de impor sua visão de mundo por meio do uso desproporcional e ilegítimo da força . Lavrov lembrou os inúmeros incidentes desse tipo nos últimos tempos e o duplo padrão aplicado às ações de Washington em comparação com as de Moscou.

O chefe da diplomacia russa alertou para a contradição de como a comunidade internacional reage às ações de Washington e de Moscou. E disse que as tentativas de incitar a russofobia abrem as portas para as práticas fascistas e supremacistas que levaram a um confronto global, o qual já não pode ser ignorado.

Lavrov reafirmou que a luta para proteger a população de Donbas e Novorossiya continuará até que as ameaças à segurança nacional russa sejam erradicadas e a paz seja restaurada de forma inegociável. “Nossa missão é clara: proteger nossos cidadãos e garantir a paz e a estabilidade na região”, declarou.

Lavrov também defendeu o projeto multilateral sob a égide do Brics e as iniciativas de cooperação e benefício mútuo promovidas por essa plataforma emergente, ressaltando que a ONU tem sido um espaço para servir aos interesses dos blocos ocidentais. “A ONU deve ser uma plataforma para o diálogo e a cooperação, não um instrumento de política externa para certos países “, enfatizou.

Ele rejeitou a atribuição de assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU a potências como a Alemanha ou o Japão, devido às suas tendências militaristas. E apoiou explicitamente a admissão do Brasil e da Índia, bem como a implementação do Consenso de Ezulwini e da Declaração de Sirte, para aumentar a representação do continente africano, da Ásia e da América Latina no Conselho de Segurança.

Lavrov enfatizou a importância do Dia Internacional contra o Colonialismo e anunciou que a Rússia sediará a Assembleia Mundial do Movimento Interpartidário Internacional pela Liberdade das Nações. “O colonialismo é uma ferida aberta na história da humanidade, e é nosso dever trabalhar pela liberdade e autodeterminação de todos os povos”, declarou.

“A multipolaridade é o futuro, e devemos trabalhar juntos para construir um mundo mais justo e equilibrado”, concluiu Lavrov.

com informações da teleSur

Editado por: Rodrigo Gomes

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