O Teatro de Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, no Recife, recebe neste sábado (27), às 19 horas, a última apresentação de “Suor Angelica: Resistência e arte das cantoras do Recife”, adaptação da ópera de Giacomo Puccini. Com entrada gratuita, a montagem reúne cantoras líricas e estudantes de canto em um espetáculo concebido e realizado exclusivamente por mulheres, do palco às funções de criação e produção.
Inspirada na obra escrita por Puccini no início do século 20, a montagem acompanha Angélica, personagem enviada para um convento pela própria família após engravidar fora do casamento. A partir da história da protagonista, o espetáculo aborda temas como maternidade, culpa, abandono, julgamento social, luto, opressão e liberdade feminina.
A versão apresentada no Recife busca estabelecer relações entre os conflitos vividos pela personagem e questões que continuam presentes na sociedade contemporânea. Uma das adaptações feitas para a montagem é a inclusão de uma narradora, recurso utilizado para facilitar a compreensão da história e aproximar a obra do público atual.
O papel de Angélica é interpretado pelas cantoras Karla Karolla e Yane Ramalho, que se revezam nas apresentações. Karla também assina a coordenação geral do projeto e destaca a intenção de dar visibilidade à atuação das mulheres na cena lírica pernambucana.
“O projeto nasceu de um desejo que já vinha me acompanhando há algum tempo de realizar uma montagem de ópera que, além de levar uma grande obra do repertório lírico ao público, pudesse valorizar quem produz e faz ópera em Pernambuco, especialmente as mulheres. A obra de Giacomo Puccini é muito intensa, com uma escrita musical belíssima e uma história construída inteiramente a partir de personagens femininas”, observa.
A participação feminina se estende às diferentes etapas da produção. Direção, concepção cênica, preparação corporal, figurino, iluminação, cenografia e outros elementos envolvidos na montagem são conduzidos por mulheres, em uma proposta que pretende evidenciar a presença feminina no fazer artístico.
A programação teve início nesta quinta-feira (25), quando, antes da estreia, estudantes da rede pública participaram de um ensaio geral aberto e de uma roda de conversa com integrantes da direção, em uma atividade voltada à aproximação do público jovem com a ópera.
Para Karla, a trajetória de Angélica também permite discutir situações que ultrapassam o contexto histórico da obra.
“A própria história de Suor Angelica contém questões que continuam muito presentes: maternidade, culpa, julgamento, abandono, relações de poder e as consequências impostas a uma mulher pelas escolhas que faz sobre a própria vida. É impressionante perceber como algumas dessas questões ainda encontram eco hoje”, diz.
A montagem é realizada pela 2K Produções e conta com apoio do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, vinculada à Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife.

