O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, descartou categoricamente a possibilidade de realizar uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, argumentando que um diálogo próximo é impossível enquanto o governo dos EUA continuar violando os compromissos assumidos, impondo sanções diárias e prejudicando a confiança entre as duas nações.
Em entrevista à rede estadunidense CBS, o presidente iraniano instou Washington a respeitar os acordos estabelecidos por escrito como condição indispensável para a retomada das negociações diplomáticas.
Pezeshkian denunciou o impacto das ações hostis da Casa Branca sobre o povo iraniano, relembrando o assassinato de altos funcionários e cientistas de seu país.
“Assinamos acordos. Assumimos compromissos. Eles devem cumprir o que foi acordado para que possamos confiar que este processo funcione. Devem respeitar o que foi estabelecido por escrito. E então poderemos sentar, conversar de perto e retomar as negociações”, afirmou o líder iraniano, enfatizando que, apesar dos ataques, Teerã mantém suas reivindicações dentro da estrutura do direito internacional.
Por outro lado, Pezeshkian questionou a eficácia de se sentar para negociar sob a constante pressão militar e econômica exercida pelo governo dos EUA. Ele salientou que é extremamente difícil confiar no outro lado quando as sanções aumentam diariamente, ameaças diretas são feitas e os compromissos assinados não são cumpridos.
A posição do governo iraniano surge após uma iniciativa recente apresentada pelo Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz em 7 dias e a retomada das negociações sobre o programa nuclear em troca de condições específicas. Após encontro entre o presidente da China, Xi Jinping, e Trump, o país asiático reafirmou disposição em mediar um acordo, que instou o Irã na proposta.
Teerã solicitou o levantamento do bloqueio naval aos portos iranianos, a liberação de ativos financeiros congelados no exterior e o alívio das sanções às exportações de petróleo.
No entanto, Trump rejeitou a proposta diplomática e, segundo fontes oficiais citadas pelo The Wall Street Journal, teria comunicado a seus assessores sua intenção de retomar os bombardeios contra a República Islâmica após as eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Saúde de Mokhtaba Khamenei
O presidente do Irã também afirmou que o aiatolá Mukhtaba Khamenei, líder supremo do país, não apresenta “problemas de saúde específicos”, após os ferimentos sofridos na ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel, no início deste ano.
“Não, ele não tem problemas de saúde nem dificuldades específicas em curso”, afirmou, durante a entrevista à CBS News, quando questionado sobre a recuperação de Khamenei.
O líder relatou que se encontrou com o líder supremo em duas ocasiões, a última das quais durou mais de sete horas. E afirmou que “ele estava saudável o suficiente para suportar horas naquela situação”.
com informações da teleSur


