ELEIÇÕES 2026

Candidaturas ao Senado pelo DF discutem escala 6×1, democracia e direitos em debate na UnB

Evento organizado pelo DCE, Sintfub e ADUnB reuniu Érica Kokay, Zanatta, Guilherme Amorim e Luciana Loureiro

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Candidaturas ao Senado pelo Distrito Federal participam de debate na Universidade de Brasília (UnB)
Candidaturas ao Senado pelo Distrito Federal participam de debate na Universidade de Brasília (UnB) | Crédito: Divulgação/ADUnB

O auditório do Ceubinho, na Universidade de Brasília (UnB), recebeu nesta segunda-feira (28) um debate entre candidaturas ao Senado pelo Distrito Federal. Organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UnB), pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e pela Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), o encontro colocou em discussão temas como o fim da escala 6×1, democracia, direitos das mulheres, saúde e políticas públicas.

Participaram do debate Érica Kokay (PT), Zanatta (PSTU), Guilherme Amorim (UP) e Luciana Loureiro (PSDB), primeira suplente de Guto Felício, que representou o candidato. David Horn (PCO) não compareceu. Segundo informado aos organizadores, um representante comunicou a ausência por motivos de saúde.

A atividade foi mediada pelo jornalista Beto Almeida e teve perguntas dos organizadores e do público, encaminhadas por meio de um formulário eletrônico. A organização também montou uma mesa de checagem de fatos e outra para análise de eventuais pedidos de direito de resposta.

Isabela Rocha, coordenadora-geral do DCE/UnB, destacou o papel da universidade como espaço de debate político e de mobilização social. Segundo ela, o encontro também buscava aproximar a juventude das candidaturas que disputam duas das cadeiras do Senado em 2026.

“É muito importante que a juventude também esteja a par de quem está na disputa para o Senado, porque as decisões tomadas por esses representantes impactam diretamente a nossa vida. A gente está aqui em um espaço da universidade que foi palco de muitas lutas e muitas resistências. Por isso, é tão importante que hoje a gente esteja aqui fazendo um debate democrático, que respeite as vozes livres”, disse.

A coordenadora-geral do Sintfub, Carla Vizzotto, também apresentou o encontro como uma iniciativa de participação política da comunidade universitária. Ela ressaltou a atuação conjunta de técnicos, docentes e estudantes na organização.

“Somos um território ocupado pela democracia e assim manteremos esta universidade. Resistência é o nosso sobrenome. Estamos aqui promovendo esse diálogo, esse debate, para que cada um e cada uma tire suas dúvidas, conheça propostas”, afirmou a coordenadora.

“Nós estamos num movimento de recuperar a nossa participação na política, porque tudo é política. A nossa existência é política, a nossa vaga na universidade é política, o nosso emprego na universidade, a ciência que é produzida aqui é política e tudo isso começa na eleição dos nossos representantes”, completou.

Democracia e disputa política 

Maria Luiza Pinho Pereira, presidenta da ADUnB, defendeu que o debate sobre a universidade pública esteja relacionado a uma discussão mais ampla sobre os rumos do país. “Isso significa que não estamos aqui de forma corporativa. Estamos aqui para defender um projeto de país e, sobretudo, compreender que a atividade legislativa está a serviço da representação dos interesses do povo brasileiro”, declarou.

A presidenta da ADUnB também relacionou o debate político ao episódio ocorrido na UnB no domingo (27). Na ocasião, o candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo) foi preso em flagrante pela Polícia Federal após pintar, sem autorização, um muro do Instituto de Artes (IdA) da universidade. 

Ao mencionar o caso, Maria Luiza defendeu uma reforma política e relacionou o episódio às discussões sobre democracia. “Os três poderes precisam, sim, de uma reforma política radical para que se reconstituam os princípios da Constituição Federal de 1988, que foi um grande pacto nacional e agora precisa ser repactuado diante das ameaças da extrema direita internacional. E não muito distante, aqui nós tivemos mais um ataque de um estudante que se diz capaz de ser representante aqui no Distrito Federal”, afirmou.

Érica Kokay também mencionou o episódio ao defender a universidade como espaço de manifestação política e pluralidade. “É em nome desta universidade, pensada por Darcy Ribeiro, essa universidade teimosa, essa universidade resistente, que a gente diz que a democracia precisa se consolidar, se fortalecer. E é em nome desta universidade que a gente aqui se solidariza contra uma ação fascista de tentar apagar a manifestação da própria comunidade universitária”, afirmou Érica.

Érica Kokay (PT) defende o fim da escala 6x1 em dabate nesta segunda-feira (28), no Ceubinho da Universidade de Brasília (UnB)
Érica Kokay (PT) defende o fim da escala 6×1 em dabate nesta segunda-feira (28), no Ceubinho da Universidade de Brasília (UnB) | Crédito: Divulgação/ADUnB

Escala 6×1

Entre os temas discutidos pelas candidaturas esteve o fim da escala 6×1. Érica Kokay relacionou a redução da jornada à disputa pelo tempo livre e às condições de vida da classe trabalhadora. “Nós estamos falando de tempo. O nosso tempo nos pertence. Nós estamos falando de retomar e fortalecer a luta das mulheres de Nova Iorque, que deu origem ao 8 de março, a luta por esse tempo. Nós estamos falando da luta dos trabalhadores de Chicago que deu origem ao 1º de maio, a luta pelo tempo”, afirmou Érica.

A candidata também relacionou a discussão às desigualdades na divisão do trabalho doméstico. Segundo ela, a redução da jornada deve considerar que as mulheres ainda concentram parte significativa das tarefas de cuidado.

“O nosso tempo e os nossos corpos não podem ser entregues em bandejas de prata para alimentar essa sanha insaciável de lucro que carregam os patrões. É preciso que nós possamos vivenciar uma humanidade que é sentida e que é ferida. Por isso, é fundamental que nós tenhamos pelo menos 2 dias de descanso”, disse.

Guilherme Amorim também defendeu o fim da escala 6×1 e criticou candidatos que, segundo ele, não participaram do debate. “O fim da escala 6×1 é a vida, é a valorização da vida sobre o trabalho. Agora é importante dizer que, infelizmente, há candidatos que não vieram aqui e são favoráveis à manutenção desse regime de escravidão moderna. Tinha que estar aqui para ter a coragem de defender a continuidade desse regime”, afirmou Guilherme.

Universidade pública e mulheres

A permanência e o acesso à universidade pública apareceram em outro bloco de perguntas. Érica defendeu a ampliação de vagas e relacionou o acesso ao ensino superior à democratização e à soberania.

A candidata lembrou sua relação com a UnB e citou Darcy Ribeiro ao defender uma universidade conectada ao território. “Ampliar o acesso à universidade pública é ampliar a democracia, é ampliar a soberania, é ampliar os direitos, é fazer valer aquilo que Darcy e Anísio Teixeira falavam na universidade dialogando com o povo”, afirmou.

A participação das mulheres na política também foi tema de perguntas aos candidatos. Érica defendeu mudanças na representação parlamentar e destacou diferentes formas de violência enfrentadas pelas mulheres. “É preciso mais mulheres no parlamento. Mas também entendo que não basta ser mulher. Diz Paulo Freire que o pior opressor é o que ocupa o corpo do oprimido”, declarou.

Checagem

Durante o debate, uma das intervenções da mesa de checagem foi direcionada a uma declaração de Zanatta sobre a autonomia do Banco Central. O candidato havia afirmado que nenhuma ação teria sido feita pelo governo federal para reverter a autonomia da instituição.

A mesa apresentou aos participantes uma contestação baseada no PL 19/2023. “O candidato Zanatta afirmou que nenhuma ação foi feita pelo Governo Federal para reverter a autonomia do Banco Central. O PL 19/2023 em tramitação, apresentado no parlamento pelo Psol, da base do governo, prevê a subordinação do Banco Central à presidência, constituindo-o em autarquia de natureza especial. É uma mensagem da mesa de checagem de fatos”, disse o texto lido pelo mediador.

O ciclo de debates organizado pelo DCE/UnB, Sintfub e ADUnB terá continuidade nesta quarta-feira (30), às 11h30, no Ceubinho. A segunda atividade reunirá candidaturas ao Governo do Distrito Federal (GDF).


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Editado por: Clivia Mesquita

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