A China inaugurou quatro novas ferrovias de alta velocidade nesta segunda-feira (28), que somam mais de 1.100 km à maior rede de trens rápidos do mundo. Até o ano passado, o país possuía, segundo a União Internacional de Ferrovias, 70% do total das linhas ferroviárias de alta velocidade do mundo.
As quatro novas linhas conectam municípios que ainda não tinham o serviço.
A China tem a meta de expandir a rede para cerca de 60 mil km até 2030. No final do ano passado, a cifra superou os 50 mil km, e com as novas chega agora a quase 52 mil. A rede cresceu quase um terço entre 2021 e 2025, segundo o Grupo Ferroviário Nacional da China.
Os trajetos
A ferrovia mais extensa é a do trecho entre a Xiong’an, na província de Hebei, e Shangqiu, na província de Henan: 552 km que operam até 350 km/h, e que passam a integrar o corredor de alta velocidade entre Pequim e Hong Kong. Com essa linha, onze municípios das províncias de Hebei, Shandong e Henan passam a ter acesso à rede de alta velocidade pela primeira vez, segundo o Grupo Ferroviário Nacional da China.
Na província nordestina de Heilongjiang, a linha Harbin-Yichun (de 318 km) passa a ser a ferrovia de alta velocidade mais setentrional da China, com velocidade máxima de até 250 km/h. A estação Yichun Oeste é a primeira construída sobre permafrost em região de frio extremo, disse Shi Qinwei, responsável pelo projeto da estação, à agência de notícias Xinhua. No inverno, as temperaturas em Yichun variam entre -16°C e -30°C.
O tipo de permafrost nessa região é insular, ou seja, não é contínuo, são “ilhas” de solo congelado. Como a variação de temperatura é muito grande durante o ano (70ºC em média, entre verão e inverno), o projeto teve que desenvolver novas técnicas para enfrentar esses dois desafios.
No noroeste, a linha Xi’an-Ankang (171 km) corta a cordilheira Qinling e reduz o trajeto entre as duas cidades de três horas para 45 minutos, segundo a Xinhua. Na região central, a linha Yichang-Xingshan (101 km), na província de Hubei, encurta o trajeto entre Wuhan (a capital da província) e Chongqing (uma mega-cidade no centro-sul do país) de quase cinco horas para pouco menos de quatro.

Três das ferrovias atravessam serras ou a planície do norte; nelas quase todo o trajeto é elevado ou subterrâneo. A Xi’an-Ankang, que corta a cordilheira Qinling, é praticamente toda feita de túneis ou pontes (94,6%), a proporção mais alta entre as ferrovias de alta velocidade que cruzam essa cordilheira, segundo o Grupo Ferroviário Nacional da China. Na Yichang-Xingshan essa cifra é de 95,13% e a Xiong’an-Shangqiu registra 94,47% do trajeto sobre pontes.
A linha Harbin-Yichun é a única que não tem nenhum túnel, mas 72% do trecho entre Harbin e Tieli, de 188 km, é composto por viadutos feitos para isolar a ferrovia das variações de temperatura do solo de permafrost da região.

