qualidade de vida

Lula contra as bets: uma política de saúde mental (e civilizatória)

Setembro Amarelo deveria ter como motes justamente o fim da escala 6x1 e das bets

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Lula
O presidente Lula, em ato no Recife (PE), horas antes de anunciar a MP que acabou com as bets no Brasil | Crédito: Ricardo Stuckert

Em texto e intervenções anteriores, argumentei como o fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho e sem redução salarial, era a principal política de saúde mental que poderíamos ter. A proibição das apostas online, as chamadas “bets”, anunciada pelo presidente Lula (PT), pode ser compreendida a partir da mesma perspectiva.

Infelizmente, a primeira foi paralisada no Senado, capitaneada por David Alcolumbre (União-AP), mas com participação fundamental de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – que atuou de maneira ativa para que essa proposta não fosse aprovada antes das eleições, penalizando a classe trabalhadora brasileira. Já sobre a segunda, teremos um avanço significativo a partir da Medida Provisória (MP) recém-publicada pelo presidente Lula, acompanhada também pelo envio de um Projeto de Lei (PL), que aborda vários dos pontos negativos dessa que é uma das piores chagas de nossa realidade no presente.

Penso eu não haver necessidade de repetir aqui os impactos negativos nas vidas de milhares de pessoas. Enquanto as empresas de bets lucram milhões – até mesmo bilhões -, para milhares de pessoas, o que elas deixam é: vício ou dependência, adoecimento e sofrimento psíquico, endividamentos, deterioração de vínculos e laços familiares e até mesmo a morte, na forma de suicídio.

Os serviços e iniciativas de saúde mental pelo Brasil todo também já sentem esse processo, com aumento da demanda e, em alguns casos, até mesmo a sobrecarga dos profissionais.

É nesse sentido que o fim das bets pode – e deve – ser pensado também como política de saúde mental, e não qualquer política, mas uma das mais necessárias para o presente.

Assim como reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6×1 significa enfrentar uma das fontes estruturais de exaustão e sofrimento, restringir a exploração das apostas significa atuar sobre um mercado que se alimenta da vulnerabilidade humana – e que produz adoecimento e sofrimento. Aliás, se nós nos preocupamos efetivamente, por exemplo, com a prevenção do suicídio, o tal do Setembro Amarelo deveria ter como motes centrais, justamente, o fim da escala 6×1 e das bets.

Nessa perspectiva, da mesma forma que proteger o tempo livre, para uma vida além do trabalho, e garantindo que ele seja utilizado para as relações e para a nossa humanização, é premente enfrentar a destruição objetiva e subjetiva provocada pelas bets e como elas se pautam pela exploração e aprofundamento das vulnerabilidades humanas, também é urgente e é, portanto, uma política de saúde mental. Mais até, é uma política civilizatória!

Pelo fim das bets!

Bora, Lula!

*Pedro Henrique Antunes da Costa é psicólogo, mestre e doutor em Psicologia e professor na Universidade de Brasília.

**Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.


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Editado por: Clivia Mesquita

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