Mais de 4,9 mil residências foram danificadas pelos temporais que afetam o Rio Grande do Sul desde sexta-feira (25). O maior impacto foi causado por granizo em Santiago, onde mais de 26 mil moradores foram afetados e 3 mil casas tiveram danos. A previsão é de chuva intensa até terça-feira (29), com acumulados que podem chegar a 300 milímetros em alguns municípios, segundo a MetSul Meteorologia.
O balanço da Defesa Civil, gerado às 18h05 desta segunda-feira (28), registra 39.117 pessoas afetadas pelos temporais e 83 ocorrências em 78 municípios. Quatro pessoas ficaram feridas: duas em Pontão, uma em Alegrete e uma em Capão do Cipó. Em 68 municípios, há registro de danos humanos ou materiais.
Além das 4.982 casas danificadas, o levantamento contabiliza 153 residências destelhadas, 28 escolas e quatro estabelecimentos de saúde com danos. Também foram atingidos sete outros estabelecimentos públicos.
Em Santiago, o granizo danificou 20 escolas e um estabelecimento de saúde, além das residências. Treze pessoas ficaram desabrigadas e 6 mil, desalojadas. Alegrete, na Fronteira Oeste, registrou 2.011 pessoas afetadas, 400 casas danificadas e dez desabrigados.
Em Santana do Livramento, foram 2 mil pessoas afetadas e 500 casas danificadas. Capão do Cipó teve 1.281 pessoas afetadas e 300 residências danificadas, além de 80 desalojados. Também houve danos em 230 casas em Erval Grande e 200 em Catuípe.
Em Pontão, uma árvore caiu sobre a caminhonete em que estavam as duas vítimas durante a forte chuva de domingo, na RS-324. As vítimas precisaram ser retiradas das ferragens.
Ao todo, 63 pessoas estão desabrigadas e 6.088, desalojadas. Não há mortes confirmadas nem pessoas desaparecidas.
Previsão de mais chuva
A MetSul prevê que uma área de baixa pressão reforce a instabilidade nesta segunda-feira (28). O sistema deve dar origem a um ciclone extratropical no oceano.
Na terça-feira, a chuva deve ganhar força no centro do estado, nos Vales, na região Metropolitana de Porto Alegre, na Serra e no Litoral Norte. Na faixa de maior risco, vários municípios podem acumular de 100 a 200 milímetros até o fim de terça-feira ou o começo de quarta-feira. Alguns modelos indicam volumes de 200 a 300 milímetros em pontos isolados.
Em atualização divulgada nesta segunda-feira, a Defesa Civil aponta risco de chuva volumosa no Centro e no Oeste, com acumulados adicionais que podem superar 120 milímetros até o fim da noite. Para terça-feira, prevê tempestades com granizo, rajadas que podem superar 90 km/h e chuva intensa no Oeste, no Centro e nas Missões, avançando para o Norte durante a tarde.
Um alerta para chuva volumosa nas proximidades de Santa Maria foi emitido nesta segunda-feira e vale até as 15h. A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas de risco e acompanhar as atualizações dos avisos.
Na quarta-feira, a chuva perde força com o afastamento do ciclone, mas ainda atinge alguns pontos do norte, o litoral e região Metropolitana de Porto Alegre. O tempo firma em todo o estado na quinta-feira (1º).
Rios sob monitoramento
A Defesa Civil emitiu um alerta de risco alto de inundação do rio Jacuí em Dona Francisca, válido até as 10h50 de terça-feira. Outro alerta, publicado às 16h38 desta segunda-feira, aponta risco alto de inundação do rio Taquari a partir de Arroio do Meio, com validade até as 16h20 de terça-feira. Os comunicados recomendam evitar áreas inundáveis.
Segundo a atualização hidrológica da tarde desta segunda-feira, os rios Jacuí, Sinos e Gravataí estavam acima do limiar de alerta para inundação, com tendência de elevação ou estabilidade. Para os próximos dias, a previsão aponta risco de inundação em trechos dos rios Ibirapuitã, São Sepé, Jacuí, Taquari e Caí.
El Niño atinge marca recorde
O episódio de El Niño de 2026–2027 alcançou a maior intensidade dos registros modernos, segundo análise da MetSul divulgada nesta segunda-feira. Com base em dados da agência meteorológica dos Estados Unidos (NOAA), a empresa calculou uma anomalia de 3,1 °C na temperatura da superfície do Pacífico Equatorial, acima da marca de 3 °C registrada no episódio de 2015–2016.
No Sul do Brasil, o fenômeno costuma favorecer o aumento das chuvas e a ocorrência de eventos extremos. A MetSul ressalta, porém, que a intensidade recorde do El Niño não determina, por si só, a dimensão das enchentes. Os impactos dependem também de outros fatores atmosféricos.

