Mais de 4,7 mil residências foram danificadas pelos temporais que afetam o Rio Grande do Sul desde sexta-feira (25). O maior impacto foi causado por granizo em Santiago, onde mais de 20 mil moradores foram afetados e 3 mil casas tiveram danos. A previsão é de chuva intensa até terça-feira (29), com acumulados que podem chegar a 300 milímetros em alguns municípios, segundo a MetSul Meteorologia.
O balanço da Defesa Civil, divulgado ao meio-dia desta segunda-feira (28), registra 31.252 pessoas afetadas pelos temporais e 60 ocorrências em 58 municípios. Quatro pessoas ficaram feridas: duas em Pontão, uma em Alegrete e uma em Capão do Cipó. Em 47 municípios, há registro de danos humanos ou materiais.
Além das 4.755 casas danificadas, o levantamento contabiliza 135 residências destelhadas, 19 escolas e quatro estabelecimentos de saúde com danos. Também foram atingidos cinco outros estabelecimentos públicos.
Em Santiago, o granizo danificou 14 escolas e um estabelecimento de saúde, além das residências. Treze pessoas ficaram desabrigadas. Alegrete, na Fronteira Oeste, registrou 2.011 pessoas afetadas, 400 casas danificadas e dez desabrigados.
Em Santana do Livramento, foram 1,4 mil pessoas afetadas e 350 casas danificadas. Capão do Cipó teve 1.281 pessoas afetadas e 300 residências danificadas, além de concentrar 80 dos 110 desalojados registrados no estado. Também houve danos em 230 casas em Erval Grande e 200 em Catuípe.
Em Pontão, uma árvore caiu sobre a caminhonete em que estavam as duas vítimas durante a forte chuva de domingo, na RS-324. As vítimas precisaram ser retiradas das ferragens.
Ao todo, 23 pessoas estão desabrigadas. Não há mortes confirmadas nem pessoas desaparecidas.
Previsão de mais chuva
A MetSul prevê que uma área de baixa pressão reforce a instabilidade nesta segunda-feira (28). O sistema deve dar origem a um ciclone extratropical no oceano.
Na terça-feira, a chuva deve ganhar força no centro do estado, nos Vales, na região Metropolitana de Porto Alegre, na Serra e no Litoral Norte. Na faixa de maior risco, vários municípios podem acumular de 100 a 200 milímetros até o fim de terça-feira ou o começo de quarta-feira. Alguns modelos indicam volumes de 200 a 300 milímetros em pontos isolados.
A Defesa Civil estadual aponta risco de tempestades severas em diversas regiões nesta segunda-feira, com acumulados que podem superar 170 milímetros em 24 horas na Campanha, no Centro e em parte dos Vales. Para terça-feira, mantém a previsão de tempestades severas e chuva intensa no Oeste, nas Missões, no Centro e na metade Norte.
Um alerta para chuva volumosa nas proximidades de Santa Maria foi emitido nesta segunda-feira e vale até as 15h. A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas de risco e acompanhar as atualizações dos avisos.
Na quarta-feira, a chuva perde força com o afastamento do ciclone, mas ainda atinge alguns pontos do norte, o litoral e região Metropolitana de Porto Alegre. O tempo firma em todo o estado na quinta-feira (1º).
Rios sob monitoramento
A Defesa Civil emitiu um alerta de risco alto de inundação do rio Jacuí em Dona Francisca, válido até as 10h50 de terça-feira. O comunicado informa que o rio está em elevação e recomenda evitar áreas inundáveis, mas não apresenta uma medição em metros.
No boletim hidrológico publicado no domingo (27), o órgão informou que o rio dos Sinos estava acima da cota de inundação em São Leopoldo, embora apresentasse tendência de declínio naquele momento. Para os próximos dias, a previsão aponta risco de inundação em trechos dos rios Quaraí, Ibirapuitã, Santa Maria, Ibicuí, Vacacaí, São Sepé, Jacuí, Taquari e Caí.
El Niño atinge marca recorde
O episódio de El Niño de 2026–2027 alcançou a maior intensidade dos registros modernos, segundo análise da MetSul divulgada nesta segunda-feira. Com base em dados da agência meteorológica dos Estados Unidos (NOAA), a empresa calculou uma anomalia de 3,1 °C na temperatura da superfície do Pacífico Equatorial, acima da marca de 3 °C registrada no episódio de 2015–2016.
No Sul do Brasil, o fenômeno costuma favorecer o aumento das chuvas e a ocorrência de eventos extremos. A MetSul ressalta, porém, que a intensidade recorde do El Niño não determina, por si só, a dimensão das enchentes. Os impactos dependem também de outros fatores atmosféricos.

