O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode proibir as exportações de diesel ao país para tentar conter a alta da inflação. O republicano comentou o tema no último domingo (27), em entrevista à rede Fox News, durante um torneio de golfe perto de Chicago.
“Isso, muitas vezes, pode levar a um pequeno aumento na gasolina para os carros, então estamos analisando isso muito seriamente, podemos fazer isso”, disse Trump. Oficialmente, a Casa Branca ainda não anunciou nenhuma medida.
O diesel chegou ao recorde de cerca de US$ 6,50 por galão nos EUA na semana passada. O preço tem subido desde que a guerra contra o Irã restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz. Enquanto isso, no leste europeu, ataques ucranianos vêm atingindo refinarias russas.
Em agosto, as exportações estadunidenses de diesel ficaram em cerca de 2 milhões de barris por dia. Para tentar conter a alta nos preços, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, tem negociado com as refinarias limites voluntários aos embarques.
A interrupção, caso confirmada, pode gerar efeitos imediatos no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), cerca de 80% do diesel importado pelo país em setembro saiu de refinarias dos Estados Unidos.
No total, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Além dos problemas relativos aos EUA, outro gargalo tem a ver com a Rússia, tradicional fornecedora global de diesel, que tem suspendido suas exportações de combustível.
Enquanto isso, o governo federal sustenta que não há risco de desabastecimento. Segundo o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, o estoque de diesel está garantido para o mês de outubro.

