Em Belém

Lula defende liberdade religiosa e diz que ‘ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida’

Presidente afirmou que todas as religiões devem ser respeitadas durante ato de campanha em Belém

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Lula segura imagem de Nossa Senhora de Nazaré durante ato de campanha em Belém (PA)
Lula segura imagem de Nossa Senhora de Nazaré durante ato de campanha em Belém (PA) | Crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta segunda-feira (28), durante ato de campanha em Belém (PA), que todas as religiões precisam ser respeitadas e disse que “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida” enquanto estiver na presidência da República.

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive as religiões de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade”, afirmou.

A declaração ocorre em meio à polêmica envolvendo o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e a circulação de uma informação segundo a qual ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio nega a intenção e diz que a informação é “fake news”. A campanha do candidato também acionou a Justiça Eleitoral para retirar publicações sobre o assunto.

A origem da informação está relacionada a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, que propunha alterar a legislação sobre Nossa Senhora Aparecida. A proposta foi arquivada e não tem relação com Flávio Bolsonaro. A controvérsia se intensificou depois de uma declaração do senador, em agosto, de que, caso eleito, decretaria que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

Crítica à Igreja da Lagoinha

Durante o discurso, Lula também criticou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão. “A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro”, afirmou.

Em seguida, o presidente defendeu que sejam investigadas as relações financeiras envolvendo pessoas ligadas à igreja e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master. Segundo documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mencionados pelo g1, a Igreja Batista da Lagoinha recebeu repasses de pessoas investigadas no caso.

Lula também fez referência às festas privadas atribuídas a Vorcaro e defendeu a apuração dos recursos envolvidos. O presidente afirmou que é necessário identificar “quem meteu a mão no dinheiro” e mencionou festas com a presença de mulheres estrangeiras.

Polêmica com Nossa Senhora Aparecida

A controvérsia envolvendo a santa ganhou espaço na campanha presidencial nos últimos dias. Flávio Bolsonaro afirmou que a notícia sobre a suposta retirada do título de padroeira seria uma “facada” contra sua candidatura, em referência ao atentado sofrido por Jair Bolsonaro, em 2018.

Na segunda-feira, o bolsonarista participou de uma caminhada em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e recebeu de um apoiador uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Os dois levantaram a imagem diante dos presentes.

No mesmo dia, em Belém, Lula recebeu do candidato ao Senado Helder Barbalho (MDB) uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará. O presidente ergueu a imagem diante do público ao final do ato de campanha.

A disputa em torno das publicações sobre Nossa Senhora Aparecida também corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira, o ministro Luiz Fux suspendeu decisão de Flávio Dino que havia autorizado as publicações e restaurou a determinação de André Mendonça para que os conteúdos fossem retirados do ar. O plenário do STF deve analisar o caso nesta quarta-feira (30).

Editado por: Geisa Marques

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