Nesta terça-feira (29), servidores da prefeitura de Araucária (PR) entraram em greve e protestaram contra as mudanças no Fundo de Previdência Municipal, em votação na Câmara de Vereadores. A nova legislação foi aprovada, com apenas um voto contrário. A mobilização, que reuniu mais de 1,5 mil trabalhadores, aprovou a continuidade das paralisações.
Os parlamentares aprovaram a Proposta de Emenda à Lei Orgânica Municipal (Pelom) 11º/2026. O conjunto de alterações coloca em risco o fundo de previdência dos servidores. Segundo o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (Sismmar) e o Sindicato dos Servidores de Araucária (Sifar), a proposta contém 14 artigos problemáticos, que permitem que o executivo municipal tenha poder sobre a previdência dos trabalhadores.

A proposta também retira o salário de servidores que estão em cargos de diretoria nos sindicatos. “Medida antidemocrática que visa sufocar financeiramente as entidades sindicais”, afirmou a categoria, em nota.
A manifestação, na manhã desta terça-feira, foi reprimida pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar, que barraram os servidores em greve. Dois diretores sindicais foram atingidos por spray de pimenta e foram levados ao pronto-socorro. A categoria organiza outra mobilização nesta quarta-feira (30).

Falta de diálogo da prefeitura
Em setembro, quando a Prefeitura de Araucária protocolou a proposta de mudança na legislação municipal, os sindicatos reivindicaram que a pauta fosse retirada da câmara e debatida na sociedade civil. O executivo municipal, no entanto, não abriu negociações, e a categoria entrou em greve nesta terça-feira.
A proposta altera diversos artigos da legislação municipal. Concede, por exemplo, ao prefeito mais controle sobre organismos independentes e democráticos, como o Fundo de Previdência Municipal de Araucária. Gustavo Botogoski (PSD) é quem ocupa o cargo atualmente. A carta também torna a Conferência Municipal de Saúde apenas uma ferramenta de consulta.
“Na prática, a gestão destrói a capacidade de atuação dos sindicatos, impedindo a livre participação dos trabalhadores, obrigando-os a escolher entre a própria carreira no serviço público e a luta para mantê-la”, destacam os sindicatos.


